sábado, 7 de março de 2009

Perplexidades

Tenho-me contido a falar sobre os últimos acontecimentos da Guiné-Bissau. E diria que por muitas razões. Porque me sinto mais do que envolvida por aquele país, porque as pessoas são, no geral, encantadoras, porque se falou sempre muito, pelo menos desde que fui pela primeira vez àquele país e que fiz a minha primeira incursão em solo africano, sobre as acções do então Presidente Nino Vieira para com os seus inimigos, ou menos amigos, porque este é um dos países mais pobres do Mundo mas apesar disso parece que virou alvo das atenções da economia paralela e da comunidade internacional pelas razões menos abonatórias. E contudo é uma terra de BOA GENTE, AFÁVEL E MUITO ACOLHEDORA, com uma CULTURA RICA E INFINITA, de EXCELENTES INICIATIVAS EM FAVOR DO DESENVOLVIMENTO LOCAL QUE DEVEM SER CONTINUADAS, de DIVERSIDADE PAISAGÍSTICA e de BELEZA SEM FIM. É um país de contrastes e, para quem trabalha nestes contextos, dá uma pilha de nervos pensar que muito mais se poderia conseguir se as preocupações se centrassem apenas no essencial.

Pois, ao longo do tempo, muito se falou e discutiu acerca dos homens que pereceram perante a perplexidade de muitos e a não surpresa de outros. Não farei comentários qualitativos nem acerca de um nem acerca de outro. Não posso nem quero. Não sou guineense e a avaliação que poderia fazer seria sempre parcial, externa e o resultado de uma visão, no mínimo, etnocentrista. Há detalhes, muitos, que desconheço e aos quais jamais terei acesso por não pertencer às etnias Papel ou Balanta, entre outros aspectos igualmente importantes, mesmo sendo uma interessada na matéria. Por mais que as estude, que as contacte e que as tente compreender, há uma parte que nunca conhecerei e esse é um grande limite, para o qual é fundamental estar consciente.

Mas uma coisa é certa: ao ler e ver as notícias que vão surgindo, hora a hora com pormenores mais detalhados da extrema violência que cada um deles viveu nos últimos minutos, e ao falar com todos os que me vão dando mais informações, questiono-me até que ponto o ódio alimentado e a raiva incontida podem levar a actos tão radicais, planeados meticulosamente. E isso é terrivelmente assustador…

A escrita e os artefactos

Para quem gosta de escrever uma caneta é a extensão de si próprio e um caderno o seu reflexo. São objectos especiais e, por isso, tratados ...