quarta-feira, 15 de outubro de 2008

Sob a confortável capa do anonimato

Eu sei que é uma opção e, nestas coisas tal como em outras, não devemos nem podemos forçar ninguém a fazer o que não quer. Mas seria muito mais interessante sabermos com quem trocamos ideias. Comentar qualquer coisa refugiando-se na figura do anonimato é confortável, reconheço e tenho mais é que aceitar já que o sistema o permite. Mas sinceramente... cá para nós que ninguém lê preferia saber com quem discuto estas coisas do desenvolvimento, dos países africanos e das diferentes perspectivas quando olhamos para os outros ou para as paisagens. Aliás, prefiro saber sempre quem comenta o que escrevo, e quem me lê também. Mas vá... que seja... se há quem prefira manter-se na sombra que se deixe estar. “No problem”. “No stress”. Leve-leve...

domingo, 12 de outubro de 2008

Junto ao Lago V

O encanto daquele lugar era-lhe transmitido por um misto de sensação se segurança, de harmonia equilibrada entre a vida humana e a natureza, e ainda de ideia de permanência. Já sentira isto noutros locais, em ilhas, espaços que sempre a reconfortaram. Estranhou esta sensação, como se estivesse de novo numa ilha só que ao contrário. Ali era a água estava no centro, rodeada de terra, de montanhas e de verde.

 

Junto ao Lago IV

Teve tempo para observar as pessoas, e apreciá-las também. Era algo que gostava de fazer. Calada ia seguindo cada um que por ali passava. Observava as roupas, a forma de andar, a expressão do rosto e a atitude perante a deslumbrante paisagem que os acompanhava. Todos, ou quase, se detinham por fracções de segundo e olhavam para ela enquanto os observava e distraidamente escrevia qualquer coisa sobre o lugar, como se o quisesse registar nos meandros da memória para que, em momentos de maior ansiedade, pudesse fechar os olhos e num ápice tudo voltasse a estar disposto com o mesmo critério de harmonia. O aspecto da maioria era de uma descontracção feliz, como se estivessem envolvidos por uma tranquilidade natural. Ali, o resto do mundo não existia e o momento era vivido intensamente mas com calma e em paz. Ali qualquer um podia ser feliz, desde que quisesse...

Junto ao Lago III

Eu podia viver ali. Gosto de locais onde o tempo passa sem provocar grandes mudanças, onde a mudança se faz de forma quase imperceptível, onde o que mais se sente é a ligeira e melodiosa sonoridade das ondas.

Junto ao Lago II

A humidade que carregava o ar e que encobria a paisagem não retirava o encanto misterioso àquele lugar. Tudo parecia ter sido ali colocado por uma qualquer razão: cada casa; cada pequeno palacete; cada barco; cada pequeno pato. A paisagem tinha um tal equilíbrio que dava a sensação de uma perfeição eternizada.

Junto ao Lago I

Sentada num banco verde de jardim com o lago a menos de dois metros de distância, repleto de patos reais e de cisnes que tranquilamente deslizavam sobre as águas, constatou que uma cidade, vila ou lugar, por mais pequeno que fosse, para ter interesse, tinha de ter um castelo, uma fortaleza ou até ruínas. Algo que guardasse nas memórias a sua História. Ecos de momentos vividos e marcados por emoções, lutas seguidas de harmonias, ansiedades completadas por alegrias, ideias sonhadas e desejos realizados. Mas tinha de ser o reflexo da vida passada e presente, e ainda auspiciar a futura, tal como se passa com as pessoas...

 

A escrita e os artefactos

Para quem gosta de escrever uma caneta é a extensão de si próprio e um caderno o seu reflexo. São objectos especiais e, por isso, tratados ...