quarta-feira, 16 de janeiro de 2008

Afectos repensados

- Se tiveste uma paixão forte, assim tão forte por um alguém que consideraste tão especial, porque não o procuras?
- Porque ele está mais velho e posso decepcionar-me. Acho que não aguentaria mais uma desilusão... seria insuportável e assim continuo ainda a ter a imagem mais positiva dele que algum dia poderia ter...
- Dizes que ele envelheceu...?! Olha uma coisa, já pensaste que, com o tempo, as pessoas vão ficando mais velhas mas, no que respeita aos afectos, o coração jamais envelhece...?
- Não envelhece mas endurece e eu gosto de sentir o meu terno e amolecido. É por isso que não o procuro... não quero sequer pensar em tudo o que me apetecia dizer-lhe... é melhor deixar o tempo passar porque se nos tivermos de reencontrar, mais cedo ou mais tarde, isso acabará por acontecer. Procurá-lo seria como apertar o coração, esfaqueá-lo, martirizá-lo, mutilá-lo muito devagar e isso não quero. Prefiro estar assim, sozinha mas tranquila.
- E lembrares-te dele todos os dias?
- Sim, e recordar-me dia a dia dos momentos que vivemos juntos. Mas se queres saber a verdade, há uma coisa que me conforta e dá força para ir desgostando dele. É que todos os dias vou avivando o mal que passei por causa dele e o quanto ele não me mereceu. Não mereceu um centésimo de miligrama do amor que senti por ele e do afecto que lhe dediquei. Também por isso não o procuro, deixou de ser importante, ou pelo menos o mais importante.

A escrita e os artefactos

Para quem gosta de escrever uma caneta é a extensão de si próprio e um caderno o seu reflexo. São objectos especiais e, por isso, tratados ...