sexta-feira, 29 de junho de 2007

Nú Barreto (GB) e Ideias Emergentes

A Ideias Emergentes apresenta no Porto o trabalho de Nú Barreto, artista guineense radicado em Paris. A exposição constrói-se em torno de três instalações, sendo que uma delas (I Have a Dream) esteve patente na última edição da Dak'Art - Bienal de Arte Africana Contemporânea e as outras duas (Histoire de Passage e África Frustrada) serão apresentadas ao público pela primeira vez. Estas obras, duas das quais em vídeo, são representativas do seu mais recente trabalho e demonstrativas da sua aproximação a novos media.
A obra do artista, embora muito politizada, nunca abandona um registo emotivo; é um trabalho impossível fora da experiência pessoal da diáspora africana. Vive num espaço de humor amargo, da contradição de um sucesso que habita um espaço de abandono. Os trabalhos de Nú Barreto, tendo como paradigma a Guiné-Bissau, consubstanciam o tema da saudade com o da desilusão e crítica à situação geopolítica contemporânea.
Em L'Âme Sensible recuperamos o tema da ambiguidade cultural, que tem vindo a marcar o discurso sobre a produção artística e intelectual que caracteriza a Diáspora africana tanto na Europa como na América. Embora a fragmentação identitária, o recurso às raízes como tema e a capacidade de distância à linguagem que adoptam, tanto na produção de discurso como de trabalho acabem por diluir-se, hoje, na própria especificidade da condição pós-moderna, condição de um (primeiro) mundo globalizado mas fragmentado, onde o exílio e o desenraizamento entraram nos nossos quotidianos cosmopolitas. A cultura ocidental produziu uma figura de homem pan-global, projecção de flexibilidade de um mundo centrado no indivíduo e nas paixões liberais do capitalismo contemporâneo. Nesta recente conjuntura, aquele que vive o exílio mas tem a percepção de ter chegado a ele através de uma violência (económica, física, política, etc), que na grande maioria dos casos é duplicada pelas dificuldades de legalização nos países de destino, e pelo que isso tem como consequência no que seria uma normal dificuldade de adaptação a um contexto diferente, vive uma experiência identitária dissociada, tantas vezes recusado e/ou discriminado transporta também nele o que talvez seja a essência mais depurada do contemporâneo, um ser dividido (mesmo nesta dicotomia) entre um passado perdido (uma recusa) e um presente desintegrado (ser a imagem de um ideal contemporâneo, poliglota, multi-cultural, miscigenado e desenraizado).
Para mais informaçóes, sugere-se uma consulta ao site Ideias Emergentes

A escrita e os artefactos

Para quem gosta de escrever uma caneta é a extensão de si próprio e um caderno o seu reflexo. São objectos especiais e, por isso, tratados ...