sexta-feira, 5 de janeiro de 2007

Terra de encantos e de encantamentos

Foi na primeira vez em que viajei para aquele país que me apaixonei. Foi imediato. Não por um homem mas pela ilha, pelo espaço, pelo ar que se respirava. Depois veio tudo o resto. Mas só depois. A primeira imagem que tive, e que guardo até hoje, foi a de um local ao mesmo tempo acolhedor e hostil, terno e independente, doce e áspero, mas de uma beleza infinita, contrastante entre verdes galopantes e azuis intensos. Qualquer das cores era forte e dava-me a sensação de profundidade e de união, tornando possível a simbiose entre tons. E foi essa mescla de percepções e de sentires, de cheiros e de paladares que tanto me prendeu.

A noção clara de que tudo o que é preciso para viver está ali mas também que é lá que se encontram as maiores contradições, a angústia de querer e não ter, fazendo crescer a vontade de transformar o sonho em realidade. Foi talvez a luta de mim comigo mesma, a tentativa incessante de ultrapassar os meus próprios limites e de demonstrar, sabe-se lá a quem, que o Mundo doce e naïf pode vencer a esperteza saloia. A ideia de que a ingenuidade e a vida simples são muito mais compensadoras do que o enredo planeado e cheio de teias complexas, tantas vezes estimulante ao intelecto humano mas que a mim pouco diz, arranjado ao milímetro como se a vida fosse sempre previsível e fácil de manejar. Afinal, com o tempo, veio a perceber-se que nem tudo é. Nem tudo foi...

Aquele é um dos locais mais belos do Mundo e tem tudo para fazer uma pessoa feliz. Basta olhar para os rostos das pessoas com quem nos cruzamos: olhos brilhantes; sorrisos abertos em lábios carnudos, grossos, bem delineados e rasgados. E escutar as risadas fortes não contidas pelo preconceito, quase chegando à gargalhada, querendo dizer-nos, aos que não somos de lá e que levamos a vida muito a sério porque somos “pessoas grandes e muito responsáveis”, que afinal o dia a dia pode ser desfrutado com alegria e ligeireza porque não nascemos para sofrer, apesar do sofrimento ser mesmo inevitável na vida de cada um. Até lá era assim.

E a grande sabedoria está presente em todos: vale a pena viver e já que nascemos, não importa os porquês, é melhor aproveitar e ser feliz, leve leve só, sem nos questionarmos ou desculparmos por qualquer coisa, mesmo que inha. E se hoje não estamos bem, mais ou menos só, isso quer dizer que um dia, sabe-se lá quando, haveremos de estar melhor, leve leve também porque o que é demais cansa e faz sofrer. E sofrer.... só de amor, que é o que mais dói e mata, como se nesta vida mais nada houvesse além da conquista, da sedução e do amor. E haverá? Se calhar não, mas isso também não é importante porque se estamos juntos, bem juntinhos, apertadinhos e enroscados aos beijinhos, está tudo bem.

 

Reminiscências de São Tomé e Príncipe, a terra de todos os encantos, que me encantou e deixou saudades..

 

A escrita e os artefactos

Para quem gosta de escrever uma caneta é a extensão de si próprio e um caderno o seu reflexo. São objectos especiais e, por isso, tratados ...