domingo, 12 de novembro de 2006

Estrelas

Só comemorei uma vez o Dia de São Martinho em África. Em São Tomé, claro está. Ali foi feito um magusto com direito a castanhas assadas de forma tradicional numa fogueira de rua, num país onde não há castanhas e onde esta prática é vista com estranheza. Pudera... a castanha é um fruto quente para comer em ambiente frio e outonal.

Todas as minhas incursões africanas, em STP ou noutro qualquer lugar, têm ocorrido em tempos diferentes, mas não coincidindo com o dia das castanhas. Apercebi-me disso ontem à noite, ao olhar para o céu e ao constatar que estava estrelado. Há que tempos que não o via assim, o que só pode ser o resultado de andar a observar pouco o céu. E isso não me parece nada bem, principalmente porque sou uma apaixonada das estrelas. E não é só o luar que me encanta ou seduz. Apesar do céu em STP estar maioritariamente nublado, quando as estrelas estão a descoberto, a sensação de as observar é fantástica porque brilham intensamente num fundo escuro, tão escuro que poderia assustar se não estivesse pigmentado de uma infinidade de pontos brancos.

Mas tenho visto estrelas, com deslumbramento total e completo, em muitos céus africanos: na Guiné Bissau, o meu primeiríssimo destino africano onde as estrelas parecem distantes, fazendo com que os nossos olhos não se queiram afastar delas; em STP, o céu mais regular para mim, resultou numa imagem familiar; em Moçambique, a África que me deixou mais mágoas, e onde vi constelações desconhecidas que me fizeram pensar tanto que, a dada altura, pensei ter perdido qualquer esgar de racionalidade.

A escrita e os artefactos

Para quem gosta de escrever uma caneta é a extensão de si próprio e um caderno o seu reflexo. São objectos especiais e, por isso, tratados ...