quinta-feira, 25 de maio de 2006

Viver um dia de cada vez?

A frase “viver um dia de cada vez” tira-me do sério, apesar de estar cada vez mais na moda. Sempre que acontece alguma coisa de menos bom na vida de alguém é muito comum ouvirmos como resposta à pergunta: “então como estás” um sofrido “olha, agora vivo um dia de cada vez e assim já não sofro tanto”.

Mas que raio! Como assim? Viver um dia de cada vez é uma daquelas constatações óbvias a que qualquer um chega e simplesmente não serve de resposta a uma preocupação expressa através de uma pergunta! Na verdade isso é o que todos nós andamos a fazer desde o momento em que nascemos. Humanamente não é possível ser de outra forma porque ainda não descobriram as pílulas que permitem adquirir a capacidade de viver logo 3 ou 4 dias em simultâneo para poupar tempo, o que admitamos é simplesmente magnífico!

Pior! Utilizada como resposta chavão, a expressão “viver um dia de cada vez” é excessivamente minimalista e significa não ter projectos, não sonhar, não idealizar tudo o que se pode fazer durante o mês que vem já aí ou até no próximo ano. É ter uma atitude conformista e não desejar mais da vida, não exigir mais de nós próprios e não esperar mais dos outros.

Muito pior é quando a seguir ao “viver um dia de cada vez” a frase é rematada com o fatalista “assim sofro menos”. Mas que coisa, ninguém gosta de sofrer mas a dor, de quando em vez, faz parte da vida, abana-nos, reconheço que da pior forma, mas faz-nos ver a vida de outra forma, ter outro entendimento e uma nova forma de estar perante as dificuldades.

E viver é bom, muito bom mesmo, apreciando os dias, as horas, os minutos e os segundos, sem fatalismos ou conformismo excessivo, aceitando o desafio que é viver bem todos os dias, com entusiasmo, sonhando e fazendo muitos projectos!!!

A escrita e os artefactos

Para quem gosta de escrever uma caneta é a extensão de si próprio e um caderno o seu reflexo. São objectos especiais e, por isso, tratados ...