quarta-feira, 24 de maio de 2006

Já não voa...

Este era o único avião da Companhia de Aviação de São Tomé e Príncipe, a Air São Tomé. Este foi um aparelho oferecido por Portugal há 15 anos para realizar voos experimentais durante 3 meses, mas voou desde o dia em que foi oferecido até ontem. Por coincidência, ontem no final da tarde fazia um voo experimental de instrução para formação de um novo co-piloto.
O piloto de quase sempre e muito experiente, com quem voei neste mesmo avião há 3 anos e meio atrás para Annobon na Guiné Equatorial, demitiu-se há uns tempos alegando falta de segurança do aparelho pela ausência de manutenção. Ninguém ligou e também ninguém fez nada. E agora não há mesmo mais nada a fazer senão lamentar as mortes dos que iam lá dentro e que não passaram do mar que rodeia a ilha, a cerca de 200 metros da costa e junto ao Ilhéu das Cabras, um dos ícones nacionais do mergulho e da pesca.
Chega a ser irónico que se debata tanto acerca do isolamento a que as ilhas estão remetidas e que ninguém se tenha dado conta, até agora, que a população da ilha do Príncipe vai ficar simplesmente remetida ao abandono e ao esquecimento uma vez mais porque não há ligação marítima regular e formal e o único meio de aproximar as duas ilhas que constituem o arquipélago era este pequeno avião que já não devia voar e que, por niguém ouvir as suas queixas, por fim se cansou da viagem.
É de lamentar tanto, tanto e tanto que não há palavras suficientes para exprimir tamanho desconsolo e incompreensão!!!

A escrita e os artefactos

Para quem gosta de escrever uma caneta é a extensão de si próprio e um caderno o seu reflexo. São objectos especiais e, por isso, tratados ...