quinta-feira, 16 de fevereiro de 2006

Há coisas que permanecem

Às vezes, quando estou muito cansada como hoje, é bom sentir que algumas coisas permanecem: o bando de pássaros que continua a voar no final da tarde numa dança imparável; a imensa árvore, que tanta gente na minha praceta desdenha por causa das folhas que caiem e que hoje está completamente nua, que, independentemente do revestimento que tem, me encanta e tranquiliza; o mar lá ao fundo que continua aparentemente calmo, pelo menos visto daqui; o vizinho da frente que, quando lava o carro, dá a sensação de ter uma discoteca móvel, como as que se vêem em África, com a particularidade de ninguém dançar kizomba; a sensação de falta de sensibilidade nas pernas depois de estar sentada a teclar durante horas que me parecem infinitas e intermináveis; a angustiante percepção de estar a bloquear o raciocínio perante tarefas simples por estar há demasiadas horas com codificações; a vontade de comer bolachas com chocolate ou qualquer outra coisa crocante por me auxiliar na concentração enquanto trabalho, com a terrível consciencialização de estar a engordar, o que significa “alerta vermelho ou necessidade de ir até ao ginásio”. Há coisas que não mudam, permanecem sempre. E normalmente apercebo-me disso quando o trabalho aperta, me sinto realizada e feliz. Mas muito cansada!!!

A escrita e os artefactos

Para quem gosta de escrever uma caneta é a extensão de si próprio e um caderno o seu reflexo. São objectos especiais e, por isso, tratados ...