segunda-feira, 20 de fevereiro de 2006

Chuva

Gosto de ouvir a chuva cair, com uma musicalidade ritmada, ora escorregando docemente pelas goteiras, ora batendo com força nos vidros das grandes janelas que habitualmente me fazem companhia. Gosto de ver a chuva cair em fios contínuos e geométricos, desenhando linhas bem definidas e consistentes, que interrompem a tranquilidade da paisagem que me rodeia, marcada por tons azuis, verdes e brancos. E gosto de ver a chuva batida pelo vento, provocando uma sensação de falta de orientação que gera inevitavelmente confusão, levantando rapidamente a água e, de forma sucessiva mas inesperada, com grande eficácia, mudando-lhe o sentido. Gosto de dias de chuva, depois de um longo período de seca, desde que o sol possa aparecer de quando em vez para iluminar a alma e aquecer o corpo e o coração. E sobretudo gosto de ver, ouvir e sentir o cheiro da chuva quando estou completamente resguardada, quente e confortável. Os últimos dias têm sido assim: calmos; contemplativos; de muito trabalho ao som da chuva e dando descanso ao rádio.

 

A escrita e os artefactos

Para quem gosta de escrever uma caneta é a extensão de si próprio e um caderno o seu reflexo. São objectos especiais e, por isso, tratados ...