sábado, 14 de janeiro de 2006

Contemplação em final de tarde

Ao observar o bando de pássaros que voa, dançando numa coreografia bem organizada e cheia de sensibilidade, dou comigo a pensar que gostava de poder voar e contemplar mais de perto o céu, o horizonte, as árvores, os animais terrestres e até os Homens. A perspectiva dos pássaros é magnífica e privilegiada. Depois, e enquanto animo apresentações em powerpoint sobre educação ambiental em África, oiço um cão vizinho, que tem por dono um veterinário onde eu naturalmente nunca levaria um animal meu, num lamento tão sofrido que faz bradar os céus, tirando a paciência aos mais tolerantes. Como é possível que um animal emita sons confrangedores e tão sentidos. Ai... já falei com ele várias vezes: com o cão, porque o dono só pode ser uma pessoa intratável. Ao ouvir-me, cala-se, porque o que quer é companhia, mas quando regresso, recomeça na lamúria de quem se sente sozinho e abandonado numa fria tarde de sábado. O mar, lá ao longe, está tranquilo, denso e escuro, contrastando com um céu, que poderia ter sido pintado pelos deuses, que é como quem diz por mãos inspiradas: cinzento rosado com nuvens de todos os feitios possíveis e imaginários, paisagem que é quebrada apenas pelo esvoaçar dos pássaros, o bando dançarino que tanto me deslumbra e encanta...

A escrita e os artefactos

Para quem gosta de escrever uma caneta é a extensão de si próprio e um caderno o seu reflexo. São objectos especiais e, por isso, tratados ...