sábado, 24 de dezembro de 2005

É bom

É sempre bom revermos amigos, mas muito melhor quando temos oportunidade de usufruir de algum tempo na sua companhia, depois de uma ausência prologada, ou de um afastamento. Isso aconteceu-me hoje. Revi duas pessoas muito engraçadas, cada uma com as suas particularidades, tão diferentes e tão amigos. Um está tão longe que nem acesso regular à net tem e, ao que parece, o telefone mais próximo encontra-se a 6 horas de caminho. O outro está mais próximo mas, por circunstâncias várias, não se tem proporcionado o encontro a não ser através do msn. Eles são tão amigos um do outro que dá gosto ouvir as conversas e observar as cumplicidades que mantêm, apesar de só se verem de muitos em muitos meses. É bom sentir a amizade que transparecem os olhares, os sorrisos, as frases meias ditas, as palmadas e os encontrões. É bom estar com aqueles dois moços porque com eles é impossível deixar de sorrir.

É bom ligarmos a alguém com quem já não falamos há muito e ouvirmos o riso franco intercalado com amuos amigos resultantes das saudades. Hoje liguei a uma amiga africana. Uma rapariga de sorriso lindo e olhos profundos, que conheci quase com idade de menina mas que hoje é mãe de uma outra menina. E ela disse-me com a certeza simples de quem sente a amizade distanciada: “já passaram três anos e tu dizes sempre que nos encontramos amanhã”. Ela tem razão. O tempo passa sem darmos conta e depois de ter chegado, passaram três anos e, entretanto, eu fui mais do que uma vez à terra dela, ela casou, teve uma filha há uns meses, falámos algumas vezes mas ainda não nos reencontrámos, apesar de termos tido várias coisas combinadas. Depois, havia sempre qualquer coisa que implicava uma desmarcação e um adiamento. Em África, não é assim, pensei. E disse-me ainda com uma tristeza envergonhada, por ser naturalmente vaidosa e saber qual o efeito que antes causava nos homens: “estou gorda!”. E eu ri com vontade, porque só ela é que poderia dizer aquela frase ao telefone, porque sabia que imediatamente eu responderia “não estás nada!”, mesmo sem a ter visto, só porque ela precisava que alguém lho dissesse.

A amizade é um sentimento bom. Muito mesmo.

A escrita e os artefactos

Para quem gosta de escrever uma caneta é a extensão de si próprio e um caderno o seu reflexo. São objectos especiais e, por isso, tratados ...