sexta-feira, 14 de outubro de 2005

Dormir é... BOM!

Ao contrário do que muitos dizem, que a dormir não se vive e não se aprende, eu acho que dormir é uma das actividades mais magníficas e deslumbrantes a que somos dados. A dormir vive-se e aprende-se e, melhor ainda, ao acordarmos de um sono prolongado e reconfortante, estamos muito mais habilitados para ter um bom dia e fazer face às eventuais dificuldades com que venhamos a deparar.

Dormir faz bem ao espírito e ao físico. Comecemos por este último: fisicamente falando, dormir é uma actividade que sabe bem e dá prazer. É absolutamente incomparável a sensação do corpo relaxar e descontrair quando, pouco a pouco, os músculos distendem, a temperatura aumenta atingido um nível de conforto ideal e psicologicamente perdemos a consciência dos ruídos, do frio exterior, da luminosidade ou de qualquer outro estímulo. É a ideia do “morninho” entre lençóis, com tudo aquilo a que temos direito, com o simples objectivo do descanso que é absolutamente sedutora e aliciante. E para isso recorremos a artefactos vários: um cobertor, ou dois, ou três, ou um edredon, ou a feliz conjugação dos dois, principalmente nos dias em que o frio ultrapassa o limite do razoável e da compreensão, e ainda o infalível saco de água quente.

Depois, a possibilidade de soltarmos o pensamento e a racionalidade, deixando-nos ir pelos caminhos misteriosos do sonho, onde o subconsciente e o inconsciente dão corda às revelações, permitindo-nos viver outras vidas, com a imagem de nós mesmo a observar as cenas como se fossemos um aparelho de registo de acções, pensamentos e sentimentos alheios, ou a nossa própria vida em situações estranhas, misturando personagens e contextos. E, sem percebermos como ou porquê, durante o sono, tudo pode acontecer, correndo bem, mal ou ficar simplesmente indefinido, tal como na vida, aproximando a ficção à realidade.

E, por fim, quando nos está a saber tão bem, acordamos, com o desagradável som do apito de um barco a sair pelas colunas do despertador, com música mais ou menos agradável em função do dias e dos postos, com os primeiros raios de sol, ou os segundos, ou os terceiros, ou com a voz de alguém que ficou com a incumbência de nos trazer ao estado consciente uma vez mais. E os músculos readquirem força à medida que nos vamos espreguiçando, uma ou várias vezes, com um prazer infinito. E estamos prontos para mais um dia...

A escrita e os artefactos

Para quem gosta de escrever uma caneta é a extensão de si próprio e um caderno o seu reflexo. São objectos especiais e, por isso, tratados ...