segunda-feira, 15 de agosto de 2005

Locais secretos e encantados ou pequenos paraísos à beira mar

“É bom termos locais secretos, que nos são familiares porque confortáveis, bonitos e que nos provocam a sensação de apaziguamento com o Mundo e com a Vida, que conhecemos bem e que não divulgaríamos por nada, simplesmente porque sabemos que em certas alturas precisamos deles só para nós”, pensava ao observar a paisagem que tinha diante de si.

Há muito que passava por aquele local à beira mar e, sem saber explicar porquê, entendia-o como o seu espaço. Para dizer a verdade, tinha o hábito de passear longamente por ali, ora acompanhada ora sozinha, ouvindo o som do mar e sentindo o sol nas costas a aquecer-lhe a alma. Aquele era um dos seus passeios preferidos, principalmente entre o Outono e a Primavera. O mar estava já ali, aos seus olhos e mesmo à mão, podia vê-lo, tocar-lhe, sentir tanto a frescura revitalizante nos dias tranquilos como nos períodos de agitação e turbulência, e gostava de se descalçar para receber as energias positivas e revigorantes que o Neptuno lhe proporcionava, pelo contacto entre a pele e a água.

“A natureza é fantástica”, repetia infinitas vezes e sem se cansar, e era nas épocas menos veraneantes que ela mais o sentia, até nos dias invernosos, com frio e alguma chuva, quando o mar dançava saltitando para junto de todos os que o provocavam, nem que fosse com o olhar ou um gracejo. Ali havia dias assim, em que o mar estava zangado e rezingão, na terra com os homens, e no Olimpo com os deuses. Mas nem nesses dias a beleza diminuía e sabia-lhe sempre muito bem uma caminhada junto à imensidão de água que tinha tanto de misterioso como de inspirador.

No Verão toda a região era invadida por milhares de pessoas, em busca do clima abrigado e da proximidade dos centros para ir a banhos, e as caminhadas pela beira mar tornavam-se cansativas, menos apelativas e menos sedutoras. Mas naquele dia, lembrou-se que, ao longo de toda a costa, havia um ou outro sítio onde se sentiria bem. E foi assim que descobriu mais um local secreto e encantado, um pequenino paraíso à beira-mar onde as ondas estão em sintonia perfeita com as rochas, onde tudo é harmonioso e reconfortante.

A escrita e os artefactos

Para quem gosta de escrever uma caneta é a extensão de si próprio e um caderno o seu reflexo. São objectos especiais e, por isso, tratados ...