quinta-feira, 30 de junho de 2005

Um despertar feliz

Hoje acordei, como sempre com o rádio a despertar-me, e tive a alegre sensação de estar de novo em STP. Foi hoje, no programa da manhã em 104.3, RCP (Rádio Club Português).

Em vez da música habitual, o som era a voz do João Carlos Silva (Roça de S. João, Teia d’@rte e Na Roça com os Tachos), que falava, como só ele sabe fazer: da magia de STP; das roças; do turismo; da natureza e da paisagem; da criatividade na cozinha; do bem estar que uma boa refeição, bem confeccionada e degustada com prazer, provoca no corpo e na mente; na cultura mestiça porque mesclada de origens, que a tornam única.

Foi bom ouvi-lo a conjugar palavras, como sempre, de uma forma muitíssimo feliz para quem o ouve. Tudo sai perfeito – o sentido das palavras, os sons, os “tum tum tum”, o sorriso que nos transmite com a voz e que visualizamos, a alegria de viver e a capacidade de acreditar no que faz e no que diz. Foi reconfortante ouvir a recomendação de sempre “Façam o favor de serem felizes. Muito felizes!”.

Hoje, o meu despertar foi magnífico. Obrigada João Carlos!

quarta-feira, 29 de junho de 2005

Presidência da República de STP

Os efeitos da globalização fazem-se sentir um pouco por todo o lado, o que contraria, em parte, o Síndrome dos Pequenos Estados Insulares em Desenvolvimento, resultante da conjugação de diferentes factores como a situação de insularidade, a pequena dimensão, a distância em relação aos principais centros internacionais e o isolamento, agravados por um outro leque de factores que se podem classificar em históricos, demográficos, económicos, sociais, culturais, já para não falar nos climatéricos e nos geográficos que, não determinando, condicionam o percurso de cada país.

Ao olharmos para um PEID, leia-se Pequeno Estado Insular em Desenvolvimento, fazemos quase sempre uma leitura imediata de condenação ao insucesso, ao bloqueio e à estagnação. Mas São Tomé e Príncipe revela-se, de quando em vez, um grande país. Digo-o, não por ser uma eterna apaixonada das “ilhas encantadas” mas sim porque a realidade é só uma. STP está a modernizar-se, pode até ser ao ritmo “leve leve”, mas este dá-lhe o encanto da sedução prolongada.

Para terem uma ideia do porquê do que digo, sigam o meu breve raciocínio: em 2000 não havia luz nas ruas da cidade e uma consulta à Internet era uma aventura. Em 2001 abriu um cibercafé – bar Tropicana – as ruas da cidade não pareciam as mesmas, porque iluminadas. Daqui para a frente, e até hoje, foi ver as mudanças ocorrerem, a modernização ser uma realidade e os sites de divulgação do país proliferarem. Hoje, a informação disponível na net sobre o país é já abundante, seja através de Grupos de debates, generalistas e temáticos, de páginas pessoais ou intitucionais ou de blogs. O INE nacional disponibiliza informação on line; alguma legislação é também encontrada; os jornais digitais multiplicam-se... Mas, melhor do que tudo isto, a Presidência da República de São Tomé e Príncipe já tem site disponível na net. Para quem interessar, alguns links estão ainda em construção, mas a imagem visual é muito agradável e o conteúdo apela ao diálogo. Vale a pena consultar já que, além de tudo o mais, contem informação importante como decretos, discursos, e permite ver as caras dos assessores do Presidente.

O Doce, a Flor e o Maracujá

A propósito do maracujá e da sua magnífica flor - ver Digitalis, Devaneios à Sombra de uma Pérgola de Flor-da-paixão,de dia 29 de Junho - lembrei-me do doce que se fazia em STP: fácil e rápido de praparar, nutritivo, simultaneamente doce e refrescante. O maracujá santomense, só por si, era muito magnífico!!! Grande, diria enorme, sumarento, doce e com umas sementinhas crocantes que faziam delícias. Como é bom lembrar...
Doce de Maracujá
Misturar numa taça o conteúdo de uma lata de leite condensado com uma gelatina (após a mistura do pó - preferencialmente folhas - com a água) líquida. Com a varinha mágica (em caso de não haver batedeira), misturar bem os ingredientes. No final, juntar a polpa do maracujá e, com uma colher, misturar bem. Colocar no frigorífico até solidificar e servir bem fresco. A este doce pode juntar-se ainda polpa de manga (fresca e não de lata...) e rodelas de banana (preferencialmente banana maçã que corta o doce excessivo).

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terça-feira, 28 de junho de 2005

IEEI - Destaque Guine-Bissau

No site do Instituto de Estudos Estratégicos Internacionais, o destaque vai para a Guiné-Bissau. documentos oficiais, papers e relatórios, informações gerais e links úteis .

 

 

Diário de uma viagem em solidão - Parte Primeira

Maputo, 31 de Dezembro de 1998

Hoje é o último dia do ano. Um dia passado na mais perfeita solidão apesar de estar contigo. Ou de ser suposto estar contigo porque foi por ti que vim, mas tu, tu não estás nem aí. Estou e sinto-me só, o que é uma contradição. À minha volta há dezenas de pessoas, gente de todas as cores, tamanhos, feitios e idades. Falam uma variedade de idiomas, riem, conversam, discutem ou namoram-se. E eu, estou sozinha num sítio onde não conheço ninguém e ninguém me conhece, a não seres tu. Ninguém se importa sequer com isso mas também não era suposto que alguém, a não seres tu, se preocupasse.

É estranho este ambiente que está a ser recriado à beira desta piscina magnífica, dando uma imagem de festividade sem que eu sinta que posso, por algum momento, fazer parte dela. Sinto-me uma pateta alegre por ter vindo fazer uns bons milhares de quilómetros para a terra das acácias de flor vermelha, onde a água rola ao contrário nos lavatórios e até as estrelas têm no céu uma imagem desconhecida para mim. E fi-lo por ti, para ti, mas não quero, por um segundo que seja, que o percebas. Esperava-te diferente, é verdade, mas se não estás, não quero que fiques e que me enganes mais.

De pensar que apenas cheguei ontem e já estou arrependida. E sabes porquê? Porque me fazes sentir a mais, depositando-me aqui e eclipsando-te sem uma palavra. E de pensar que foste tu que insististe para eu vir, fazendo projectos.

O calor sufoca-me e cala as palavras que gostaria de dizer e as gargalhadas que tinha necessidade de dar. Mas não há condições para o riso aberto, franco e descontraído. Pode ser que tudo mude como o tempo, afinal hoje também já fizeram muitos tempos: sol e calor abrasador como no verão; trovoada e chuva como no Inverno... só que sem frio.

Diz-me, o que faço eu aqui? – pergunto-te em silêncio, sem emitir um som que seja. Olho-te, quando apareces, quase sempre de fugida, e querendo dizer-te tanto, calo-me...

segunda-feira, 27 de junho de 2005

Conchas e búzios

Ando numa fase cansativa em que as arrumações são a minha prioridade. Não arrumações em sentido figurado, mas sim tudo o que tem que ver com a limpeza e a recolocação dos objectos nos sítios depois das obras necessárias após o incêndio em Março. É engraçado perceber que a casa tem mais coisas do que devia porque agora já não sei bem os sítios de cada peça e sobram-me algumas... Não tenho jeito para engenharia, portanto.

No meio do cansaço houve uma tarefa que me deu um infinito prazer: a caixa onde tinha guardado as minhas conchas e os búzios trazidos de África, uns apanhados nas longas caminhadas pela praia, outros oferecidos e uns quantos comprados. Todos têm um significado e uma história, desde os mais pequenos aos maiores. E todos, sem excepção, me fazem sorrir. Afinal, enquanto por lá andei, tratei um por um com um carinho e atenção particulares. Lavei-os, esfreguei-os, limpei-os, envernizei-os e sequei-os cuidadosamente.

E hoje retirei-os do caixote, desembrulhei-os, de novo um por um, e voltei a limpá-los. Ao pegar-lhes, as imagens vividas passaram à frente dos meus olhos com uma estranha nitidez: foram momentos vividos há tempo mas pareceram-me ainda muito presentes. E as personagens reapareceram: o companheiro, o amigo e as amigas, as falsas e interesseiras conhecidas, as falaciosas confidentes, o intriguista, os vendedores.

E pela proximidade das memórias, tentei ouvir o som do mar na boca dos búzios mas a distância imperou e não me deixou escutá-lo.

Livraria Barata - Descontos

As Livrarias Barata oferecem descontos em TODOS OS LIVROS, a partir do dia 18 de Junho (incluindo infantis, técnicos, romance...). O desconto varia em função do ano de edição. Assim sendo:
- anterior a 2000 = desconto de 50%

- entre 2000 e 2001 = desconto de 30%

- entre 2002 e 2003 = desconto de 20%

- entre 2004 e 2005 = desconto de 10%
Barata da avenida de roma

Barata de campo de ourique

Barata técnica [IST]

Barata agronomia [ISA]

Barata técnica [FCT]

Barata évora [UE]


Minutos infantis

Como é boa a companhia das crianças, pensava Adelaide, após ter usufruído da companhia de uma maravilhosa criança de 5 anos, durante uns breves 30 minutos. A dada altura ele disse-lhe: “Que saudades eu tenho de sentir os pés na areia...”, e ela aproveitou a deixa e perguntou-lhe: “queres ir à praia?”. A resposta não se fez tardar naqueles enormes olhos castanhos. E lá foram. Ele correu com os pés descalços atrás das gaivotas e Adelaide sorria atrás dele, caminhando calmamente, enquanto pensava no quanto é bom ter espírito de criança e nunca se cansar de correr, rir, brincar, sonhar, desejar e realizar. O tempo não passou para eles, voou, mas aquele final de tarde, numa praia quase deserta no início do verão, ficará na memória dos dois.

domingo, 26 de junho de 2005

O durante e o após

Por vezes sentia-se dividido entre o que desejava muito e o que sentia ser a atitude justa e correcta, regulada pela medida certa. Isso acontecia-lhe com maior frequência desde que saíra de África que, como gostava de dizer enquanto massajava o queixo com um sorriso espalhado no rosto e o olhar vago das lembranças, era o continente dos infinitos sonhos e dos 2 Ms, majestoso e mágico. Em África tudo parecia simples demais e as respostas aos problemas não requeriam grande teorização porque eram directas e os meios para os solucionar, os mais imediatos porque os possíveis.

Mas aqui, a vida passou a complicar-se e todos os actos, por mais lineares que parecessem inicialmente, complexificavam-se com uma incontrolável rapidez, tornando-se obrigatoriamente consequentes. Também aqui, a vida ganhou o tom da intelectualidade até à última consequência e quanto mais básico for o problema, maior reflexão parece necessitar. Dá a sensação que por cá as pessoas teimam em não ser felizes porque têm de ser muito sérias e excessivamente adultas para se tornarem credíveis e confiáveis. Perderam o sentido do riso e da gargalhada, do disparate e da leveza a que o ser é dado, da ternura e da compreensão, da descontração e do “savoir faire” em função das necessidades do momento. Mas por certo ganharam a racionalidade e o falso, mas permanente, sentido crítico em relação a tudo e a todos, menos a si próprios.

sábado, 25 de junho de 2005

Verdade esquecida

“Quando entregamos o coração, arriscamos mais do que a nós mesmos. Colocamos em risco a pessoa que o recebeu”

Nora Roberts in “Entre o Céu e a Terra”, pg. 264

sexta-feira, 24 de junho de 2005

Noutra África

Noutra África os resultados das presidenciais já soam. No Africanidades há detalhes: Sanhá com 158.000 e Nino Vieira com 138.000. É motivo para dizer: XIIII, AÍ VEM ELEIÇÃO DE NOVO.
Pena que quem ficou em 3º lugar, Kumba Ialá, tenha mau perder, ele, os apoiantes e os representantes do partido. A manifestação supostamente não autorizada já vai em 3 mortos... um desassossego. Falava eu aqui há uns dias na desejada paz para um povo merecedor.

Numa das Áfricas

Por África é minha e de todos os que por lá passaram, vale a pena passar pelo Chuinga e ler tudo, mas em particular o Conto de Fadas, dividido em duas partes. Magnífico!

quinta-feira, 23 de junho de 2005

Alergias e calores húmidos

Quando penso em calor húmido, invariavelmente lembro-me de África, ou pelo menos das Áfricas pelas quais passei.

A primeira, Guiné Bissau é quente e a humidade uma das principais características. A sensação que se tem é de andar permanentemente nas proximidades de uma panela de pressão, cheia de frutas aromáticas, de terra molhada e de chuva. A pele cola como se o vapor da pressão nos perseguisse. Penso mesmo que esta sensação é agravada pela ausência de praias nos quilómetros mais próximos da capital, o que aumenta a vontade de um banho relaxante nas águas mornas das praias tropicais.

A segunda, Moçambique que, por coincidência do destino, recebeu a minha visita em épocas de grande calor e, claro está, infinita humidade. Aqui os cheiros foram, para mim, menos intensos mas as cores verdadeiramente fantásticas, principalmente das acácias que davam às ruas um colorido inconfundível e de extrema beleza. A sensação pegajosa da pele foi menos permanente do que a primeiríssima experiência, em parte porque passei uma parte dos meus dias entre banhos e as tentativas de captar, por entre as nuvens, algum raio de sol que teimava em se esconder.

A terceira, e mais apaixonante de todas, São Tomé e Príncipe, terra onde invariavelmente as amplitudes térmicas persistem em não ser evidentes, mas onde os níveis de humidade chegam a atingir os 90% com uma curiosa facilidade. Ali, a roupa colava à pele mas a sensação não era desagradável, antes pelo contrário, talvez porque o espírito fosse mais receptivo às mudanças e procurasse adaptar-se às contingências e dificuldades com que me ia confrontando, mais do que nas duas primeiras Áfricas. E além disso havia sempre uma praia por perto para um mergulho, mesmo que fugidio, em águas quentes e cristalinas, com uma paisagem de enquadramento simplesmente deslumbrante.

E hoje, só podia ser, relembro a humidade quente com saudosismo. E sabem porquê? Porque aqui faz calor, tem dias em que faz mesmo muito, e há humidade, só que não é quente e não tem o mesmo sabor, os cheiros não são os mesmos e as sensações menos reconfortantes. Além do mais, quando faz calor não há humidade e esta aparece com frequência para esfriar a temperatura. E com estas alterações climatéricas, as minhas alergias explodem e eu sinto-me de rastos. Começo a tomar antihistamínicos e corticóides locais e tenho a sensação que o Mundo vai desabar em cima da minha cabeça que lateja e dói sem parar, o nariz fica entupido e a respiração muito pesada. E eu só penso que, enquanto estive em África, numa qualquer, estes achaques não me davam e, apesar do intenso calor e da dureza da humidade, eu passava muito melhor do que aqui. Não pensem que eu não gosto da minha terra, porque gosto, mas reconheço que tenho umas saudades de África... que nem consigo explicar...

terça-feira, 21 de junho de 2005

De novo a lua

A lua está cheia de novo e hoje particularmente bonita: redonda, amarela, brilhante e luminosa. Muito inspiradora e a indiciar um dia de calor sem fim para amanhã. Vista do local onde me encontro, provoca-me e espreita-me entre os ramos da árvore que faz parte do meu quotidiano. E esta noite, apesar do cansaço que sinto, até consigo ver as duas caras numa troca de confidências que só aos amantes é permitida.

segunda-feira, 20 de junho de 2005

Presidenciais na Guiné Bissau

Estava um pouco apreensiva com as eleições na Guiné Bissau mas fiquei contente. Dentro do contexto, possivelmente enquadrável pela Lei de Murphy, tudo correu bem, muito melhor do que os mais optimistas poderiam pensar, sem incidentes de maior. Para já, quem está de parabéns é mesmo o povo guineense que está cansado de desencontros, lutas, agressões e desrespeitos. E agora, resta-me desejar com espírito positivo e crédulo qb que assim se mantenham quando forem tornados públicos os resultados.

domingo, 19 de junho de 2005

Certinhos

No outro dia conversava com um amigo e lembrei-me de África, uma vez mais. Não só por ele também fazer parte dela e ter sido lá que o conheci, mas principalmente porque o tema da conversa nos levou de novo até lá. Dizia-me ele, a propósito de alguém de quem gosta muito e por quem tem uma preocupação infinita, que ela tinha uma tendência para só se interessar pelos “marginaizinhos”. Não por marginais de peso ou de tradição, e isso já é uma sorte! Mas por aqueles que fazem disparatezinhos, que se desviam daquilo que sempre se idealizou para os filhos ou para as pessoas de quem se gosta muito, pelos não certinhos. Eu ri, claro, e disse-lhe que é natural porque os certinhos têm menos piada. Não é que eu pense assim, mas reconheço que há quem pense: o disparate é mais sedutor porque mais arriscado. Os níveis de adrenalina sobem mais depressa... O meu amigo não ficou nada consolado com o meu comentário, mas eu estava a brincar. E ele já devia saber disso...

Já foi...

Foi ontem o lançamento do Xicuembo e eu não estive lá. Ficam aqui expressas as minhas desculpas a um dos bloguistas da minha preferência, já que tinha prometido estar presente. Mas não consegui...

quarta-feira, 15 de junho de 2005

Hora de relógio

Quando se combinava qualquer coisa em STP era costume seguir-se dois princípios:

  1. Um atraso dentro da normalidade podia ir até 1 hora, pelo que era socialmente considerado como regra que esperássemos até que os nossos amigos chegassem, com a calma e a tranquilidade que a paisagem transmitia e o espírito “leve leve só” dos santomenses, que nós fomos assimilando com o tempo e que, após o regresso, tanta falta nos faz. O encontro era sempre marcado com a indicação de “hora de relógio”, que é como quem diz “às 17 horas, sem falta, e com a possibilidade de te atrasares até às 18, sem que eu esteja com a cara número 3 quando apareceres”.
  2. Se o encontro desse lugar a espera, o mais pontual acabava sempre por já estar acompanhado por alguém, não com o objectivo imediato e exteriorizado de “engatar” quem quer que fosse, mas porque todos se acabavam por conhecer e era impossível frequentarmos um bar, café, restaurante ou local público sem que aparecesse alguém que conhecêssemos. E o encontro com os amigos tornava-se naturalmente numa reunião mais alargada.

Pois hoje ia jantar, pensava eu, com alguns amigos que conheci por terras paradisíacas. Mas foi adiado para amanhã por conveniência de mais do que um dos convivas, um deles foi já avisando que só chega mais para o tarde. E amanhã lá vamos nós, confraternizar e relembrar a “hora de relógio” e que, pensando bem, depois de regressarmos, devia ser antes “dia de calendário”.

Encontros e Jantares

Jantar com amigos é sempre um prazer, principalmente quando já passaram muitos meses desde a última vez que os vimos e/ou estão geograficamente dispersos por esse Mundo. Hoje é um desses dias ou melhor noites. Vou rever amigos que conheci em África, pois claro. Vamos conversar e rir, saber uns dos outros e as últimas estórias dos nossos “ódios de estimação”, falar sobre o passado, o presente e o futuro, relembrar as Africas pelas quais passámos e onde ainda queremos ir. E não há melhor local do que uma mesa farta para o fazer. O tempo vai ser curto, pelo menos para mim que chego tarde e saio cedo, porque ando numa “afobação” sem fim mas também porque o que quero saber é tanto que nunca dá para, num breve encontro, ouvir tudo.

segunda-feira, 13 de junho de 2005

Ódios de Estimação - 2

Os ódios de estimação são um dos factores que contribuem, de forma determinante apesar de inconsciente, para a sanidade social da maioria dos mortais. É que enquanto se entretêm a observar, comentar em grupo e recriar o que uns e outros foram, são ou serão, mesmo que nunca o venham a ser ou tenham sido, desviam a atenção sobre si mesmos, pensando estar safos dos olhares alheios e das consequentes más línguas, que lhes estão associadas de forma infalível. Além de tudo o mais, encerram uma função de sociabilidade importantíssima, já que somos obrigados a interagir uns com os outros para falar e destruir a vida alheia, mas também quando contactamos com o objecto da nossa raiva. E, no final, dá vontade de espreguiçar pela sensação de missão cumprida. Afinal, tudo isto dá muito trabalho, cansa e desgasta, por isso no final da sessão merecemos o descanso do guerreiro após uma luta mortífera porque desfizemos o adversário, mesmo que ele não nos tenha feito nada de mal. Não gostamos dele e isso é o suficiente.

Mas... quando nos sentimos como o ódio de estimação de alguém, percebemos o quão desconfortável se pode tornar esta cadeia de perseguições verbalizadas que podem mesmo chegar a destruir a vida mental dos mais sãos, a vida emocional dos mais estáveis, a vida profissional dos mais competentes. Tudo se inventa e tudo se relata com pormenores mórbidos e sádicos, procurando evidenciar realismo e uma veracidade impossível de duvidar. Os olhos dos ouvintes abrem-se incrédulos e as bocas emitem sons como “ahhhhh”, “ohhhh”, “arghhhh” seguidos de pausas complementadas por caretas que traduzem desaprovação para comportamentos tão impróprios. A avaliação que é feita resume-se a um “pois é... coitada(o), o que lhe havia de acontecer...”. E aquele terrível sentimento, que não se deve ter por ninguém, de pena cresce a um ritmo galopante por todos os que se dão connosco, sem que possamos sequer perceber porquê. Agora, quem relata valoriza-se aos olhos dos demais porque supostamente sabe, presenciou, viveu situações absolutamente confrangedoras daquele serzinho perdido, e partilha-as em tom de um secretismo delicioso.

De génios passamos a incompetentes, de santos a diabos, de boas pessoas a destruidores de tudo o que nos aparece pela frente. Pior, apesar de terem tido a melhor das impressões a nosso respeito, quando nos encontram abraçam-nos como se tivéssemos estado à beira da perdição ou da morte, mexem-nos nos braços com movimentos ascendentes e descendentes e, com o melhor sorriso que conseguem, tentando demonstrar compaixão, dizem “Afinal estás com bom aspecto...”. E uma pessoa, com cara de parva, só consegue pensar “Safa, mas onde pensa ele(a) que eu andei? Na travessia do deserto ou num mar infestado de tubarões? OU será que a última história que lhe chegou foi ter virado drogada ou alcoólica sem recuperação possível, prostituta ou assassina?”. Dá vontade de gritar e fugir mas, ao contrário, sai um sorriso amarelo que reforça o desconforto e dá as maiores certezas, que na verdade são incertas, ao interlocutor.

E ao juntarmos 2 mais 2, a estória sai direitinha como uma folha de jornal. A clarividência alheia é algo de transcendente, sobretudo a dos pobres de espírito. Porque não se ocupam em algo verdadeiramente útil, em vez de criarem e recriarem argumentos, inventarem feitos, juntarem peças que não têm a menor relação????

Livro Visão: África, 30 anos depois



Posted by Hello
A Visão produziu um livro em comemoração dos 30 anos de independências, procurando entre outras coisas evidenciar as mudanças. Serão 240 páginas a publicar no próximo dia 16 de Junho. Responsáveis pelo texto e fotografias dedicados a STP são os jornalistas Ana Margarida Carvalho e António Xavier. Custará 14.90 euros e acompanhará a revista. Nesta semana nas bancas, portanto. "Quando é que os portugueses chegaram a estes países? O que lá encontraram? Quais foram os principais momentos da sua História? Quem são as principais personagens? Quais são as principais riquezas de cada um deles? O que lá se produz? Quantas pessoas lá vivem? África, 30 anos depois faz o retrato dos países nos dias de hoje, reúne todos os dados estatísticos, apresenta os novos mapas e uma valiosíssima colecção de fotografias." Para além das reportagens, as crónicas de: Cáceres Monteiro; Joaquim Letria; Edite Soeiro; José Silva Pinto; J. Plácido Júnior; Luís Almeida Martins; Pedro Vieira; Rodrigues da Silva. E ainda, os balanços de Adriano Moreira, Pezarat Correia e Vítor Crespo.

"Um arquipélago em busca de uma rota" na ÚNICA do EXPRESSO

Na Revista “Única” do Expresso desta semana, o tema de capa é dedicado aos 30 anos de independência e às mudanças operadas “Três Décadas Depois”, sendo passados em revista todos os países. Todos os artigos são de qualidade, despertando interesse, desde os assinados pelos jornalistas como pelo actual Secretário de Estado da Cooperação, João Cravinho, e as fotografias que os compõem de uma beleza sem fim. Para quem se interessa pelas temáticas africanas são incontornáveis e a arquivar para mais tarde reler.

De actualidade, e com interesse particular, o dedicado a STP, assinado pela jornalista santomense na BBC radicada em Londres, Maria Conceição Lima , denominado “Um arquipélago em busca de uma rota” – título excelentemente encontrado, não podia ser melhor... – dando grande destaque ao dossier petróleo. Dadas as minhas principais preocupações, fiquei com pena (muitíssima) de não conter mais referências ao turismo e ao ambiente (sobretudo quando decorreu um seminário há tão pouco tempo e quando eu própria lhe dei uma entrevista a pedido). Mas compreendo que a reportagem não pudesse abranger tudo. Bem, parabéns à Conceição, porque a problemática da exploração petrolífera tem de facto mobilizado “tutti quanti”...!

sábado, 11 de junho de 2005

Ódios de Estimação 1

Ao longo da nossa vida e nas mais diversas circunstâncias, todos nós nos cruzamos com pessoas que, pelos mais diversos motivos, nos são desagradáveis, com as quais antipatizamos ao primeiro olhar, e pelas quais passamos a nutrir uma espécie de ódiozinho, que vai sendo alimentado com o tempo e por novas situações que vão surgindo. São os nossos ódios de estimação, sem os quais uma parte da nossa existência ficaria esvaziada de conteúdo e motivação. Tudo neles nos irrita, até só a simples constatação que existem e que um dia, pela força do destino e para nossa tremenda infelicidade, passaram a fazer parte das nossas vidas. Na verdade, nem queremos pensar neles mas há sempre um “quêzinho” que não nos larga e nos persegue, fazendo lembrar que os caminhos pelos quais eles passam se cruzam com os nossos. Na maioria das vezes nem sequer nos achamos na obrigação de lhes dar o benefício da dúvida, e com razão: ou nos prejudicaram até à exaustão num passado mais ou menos recente; ou nos tentam prejudicar nos dias de hoje; ou tentarão fazê-lo, com toda a certeza, mais dia menos dia. Não há como fugir das artimanhas destes terríveis seres que, vá-se lá saber porquê, em tudo o que fazem e com quer que contactem, interferem com o nosso bem estar, com a nossa sanidade mental e com a nossa vida em geral.

Em São Tomé havia um ódiozinho de estimação generalizado para os portugueses residentes. Ninguém gostava dele e era o tema de conversa preferido da maioria, que relatava episódios diários, denegrindo a imagem, que já era naturalmente pouco favorecida, daquele indivíduo pouco dado a simpatias. Uma coisa é certa, quando se deixava de falar dele por uns dias, sentia-se falta e a conversa retomava. Ainda hoje, quando alguns dos ex-residentes se encontram, o tema acaba por ir ter sempre ao mesmo. Faz parte, é quase um ritual e torna-se divertido porque dinamiza os encontros. Sem ele, muitos de nós, que o conhecemos, não seríamos iguais ao que somos hoje.

Mas mais estranho é vermos o problema ao contrário. Nunca, ou poucas vezes, pensamos que podemos ser o ódiozinho de estimação de alguém. Mas somos... (continua)

quinta-feira, 9 de junho de 2005

Novo governo em STP

E não podia deixar de referir que o novo governo de STP já está constituído e toma posse nos próximos dias. A “liderança” recai sobre uma mulher, a ex das finanças, que acumula. O Turismo ganhou, em minha opinião. O ex-director de Turismo e Hotelaria, Gaudêncio Costa, fica como Ministro do Comércio, Indústria e Turismo, acumulando com a agricultura e pescas... Apesar da força e da vontade do Gaudêncio, espero que não sejam sectores a mais, porque os novos dois são de peso... Desejo-te um bom trabalho, Gaudêncio.

Agora, quem terá tido a ideia de manter o Maquengo como Ministro do Emprego, Trabalho e Solidariedade. Só se pode justificar pelo historial no sector social. A ver se há melhorias, já que esta é uma área fundamental também em terras santomenses. Mas meu caro Fernando Maquengo, a integração dos técnicos de acção social que ficou por efectivar tinha sido fundamental, em vez de deixar que os jovens recém formados por especialistas nas diferentes matérias se viessem embora para Portugal, Cuba, Brasil... entre outros destinos. Vamos trabalhar Sr. Ministro, por favor...

Guapa, Barcelona!

Cheguei revitalizada e muito tranquila. Barcelona é uma das poucas cidades europeias que tem um mágico efeito sobre a minha alma. Acalma-me, apazigua-me com o Mundo e com a Vida. Ali sinto-me inexplicavelmente bem. A luz é reconfortante, os espaços abertos e a alegria reinante na Catalunha é contagiante. Vive-se de forma positiva e bem disposta, descontraída e levezinha. Tudo parece fácil por lá. É talvez das poucas cidades europeias onde, se me perguntassem se quereria viver, diria “SIM” sem pestanejar. E há um local, que visito desde a minha primeira viagem porque me apaixonei pela paisagem, Montserrat e estava lindo, esplêndido, sempre com um novo recanto por descobrir. Magnífico e muito recomendável a todos os que não conhecem. E quem gostar de caminhar, do cheiro a montanha e a floresta, da paisagem verdejante, tem em Montserrat um local idílico, ou não tivesse a conotação de “o monte serrado pelos Deuses”.

sexta-feira, 3 de junho de 2005

Descanso

Vou descansar para um dos locais onde me sinto absolutamente revitalizada e tranquila. Até breve. Até ao meu regresso.

Aniversário

De um amigo “netiano”, e leitor regular, também apaixonado por África no geral, e por STP em particular, o António Ferreira de Sousa, recebi este magnífico poema de Álvaro de Campos. Muito bonito. Aqui fica o meu agradecimento público.

ANIVERSÁRIO

No tempo em que festejavam o dia dos meus anos,

Eu era feliz e ninguém estava morto.

Na casa antiga, até eu fazer anos era uma tradição de há séculos,

E a alegria de todos, e a minha, estava certa como uma religião qualquer.

No tempo em que festejavam o dia dos meus anos,

Eu tinha a grande saúde de não perceber coisa nenhuma,

De ser inteligente para entre a família,

E de não ter as esperanças que os outros tinham por mim.

Quando vim a olhar para a vida, perdera o sentido da vida.

Sim, o que fui de suposto a mim mesmo,

O que fui de coração e parentesco,

O que fui de serões de meia-província,

O que fui de amarem-me e eu ser menino,

O que fui – ai, meu Deus! o que só hoje sei que fui...

A que distância!...

(Nem o acho...)

O tempo em que festejavam o dia dos meus anos!

O que eu sou hoje é como a humidade no corredor do fim da casa,

Pondo grelado nas paredes...

O que eu sou hoje (e a casa dos que me amaram treme através das minhas lágrimas),

O que eu só hoje é terem vendido a casa,

É terem morrido todos,

É estar eu sobrevivente a mim mesmo como um fósforo frio...

No tempo em que festejavam o dia dos meus anos...

Que meu amor, como uma pessoa, esse tempo!

Desejo físico da alma de se encontrar ali outra vez,

Por uma viagem metafísica e carnal,

Com uma dualidade de eu para mim...

Comer o passado como pão de fome, sem tempo de manteiga nos dentes!

Vejo tudo outra vez com uma nitidez que me cega para o que há aqui...

A mesa posta com mais lugares, com melhores desenhos na louça, com mais copos,

O aparador com muitas coisas – doces, frutas, o resto na sombra do alçado - ,

As tias velhas, os primos diferentes, e tudo era por minha causa,

No tempo em que festejavam o dia dos meus anos...

Pára, meu coração!

Não penses! Deixa pensar a cabeça!

Ó meu Deus, meu Deus, meu Deus!

Hoje já não faço anos.

Duro.

Somam-se-me dias.

Serei velho quando for.

Mais nada.

Raiva de não ter trazido o passado roubado na algibeira!...

O tempo em que festejavam o dia dos meus anos!...

Álvaro de Campos

(1929)



Ver para crer

Bem ao jeito do Santo que lhe dá o nome, só é possível acreditar na vida política de São Tomé e Príncipe vendo. Entrou de novo em crise. Em 4 anos de presidência, Fradique de Menezes tem a proeza de assisitir a instabilidades sucessivas, demissões governativas, alternâncias no poder, dissolução do parlamento e por aí fora. As contestações não têm fim e tudo por causa do petróleo, uma vez mais. Aquele país confunde-me porque tem tanto de beleza, provocando deslumbramento em todos os que por lá passam, como de desassossego gerado pelos desentendimentos. Dá-me vontade de repetir a frase que mais utilizei, com razão, numa das minhas estadias e que muito divertia todos os que a ouviam: "organizem-se"...!!!!

quinta-feira, 2 de junho de 2005

Prenda

E hoje recebi uma outra prenda de uma pessoa muito especial, um grande amigo. O presente foi um livro, o novo da Margarida Rebelo Pinto “Pessoas como Nós”. Gostei porque foi ele que me ofereceu, ainda não o tinha, não estava a prever comprá-lo tão cedo e gosto de ler os textos dela durante as férias, preferencialmente na praia ou depois. Mas não resisti e li a passagem que publicita o livro. Aqui vai:

“Os homens nem sempre avançam, nem sempre atacam. Alguns preferem esperar, deixar que o tempo lhes traga o que mais precisam, para nunca terem de tomar decisões. O Fred é assim, como um lobo e os lobos preferem morrer de fome a cometer um erro. Ele nunca dará um passo em frente.

Não sei se tenho vocação para ser mãe porque vivo demasiado virada para dentro, em função do meu trabalho e do meu sucesso, mas a Julieta, que é doida varrida, está a fazer um bom trabalho com o Duarte. E se não tiver filhos, nunca saberei (...).”

Engraçada esta passagem. Acho que vou gostar do livro...

Privilégio

Se ontem não pude ir passear na praia, apesar de ser esse o meu desejo, hoje não perdi a oportunidade. A manhã nasceu encalorada e as minhas células ansiavam pela frescura da água salgada e pela agradável sensação da massagem natural da areia na sola dos pés. Magnífico este privilégio de morar junto à praia. Com uma simples visita e uma caminhada ritmada mas tranquila, sem nos darmos conta, o dia decorre de forma muito mais ligeira.

E foi assim

E assim se passou mais uma dia de anos de alguém que será eternamente criança. Amanheceu e anoiteceu com um calor a lembrar os trópicos e as regiões equatoriais africanas. Já não me lembro de passar um dia de anos como o de hoje há muito tempo. Pensei ir à praia mas, só para me contrariar e pôr à prova a minha capacidade de adaptação, mais uma alergia decidiu não me abandonar, bem cedo, ainda de madrugada, o que me impossibilitou de apanhar sol. E passei o dia em boa companhia, a receber as chamadas dos amigos, e neste ano foram muitos os que se lembraram e que não entram para a “lista negra”. Para finalizar o dia passado em família, um jantar a condizer, animado e divertido, com muitas histórias, algumas sobre as Áfricas por onde alguns de nós já passámos e com os olhos atentos e cheios de curiosidade da mais adorável das crianças, de apenas 5 anos. Pronto, tenho de reconhecer que estou mais velha e praticamente na enigmática fronteira dos 40, quase assustada mas ainda não completamente. Para já, ainda divertida.

A escrita e os artefactos

Para quem gosta de escrever uma caneta é a extensão de si próprio e um caderno o seu reflexo. São objectos especiais e, por isso, tratados ...