terça-feira, 17 de maio de 2005

Nada do que foi volta I

“Nada do que foi volta”, pensou Vera quando se despediu de Abel. “Pelo menos não da mesma forma, ou como eu gostaria. Cada reencontro com ele é um novo momento para o conhecimento de uma faceta até aqui não revelada. É estranha a sensação, mas por mais que pensemos que conhecemos uma pessoa, acabamos por perceber, mais tarde ou mais cedo, que tivemos apenas uma visão do que ela é, ou pode ser.”
Apesar de conversador, Abel estava distante e pareceu-lhe triste. Sabia-lhe sempre bem vê-lo e aos encontros marcados não gostava de faltar. Sentia-os como rituais e defendia que esses deviam ser vividos para que as tradições se mantivessem. Não olhava para ele como um ritual ou como uma tradição mas o sentimento que tinha em relação a ele era tão profundo que queria guardá-lo para sempre.
Ouvia-o e sentia-se a partilhar alguns dos problemas que ele tinha, os possíveis e que ela podia saber. Queria apenas que ele estivesse bem, já que não podia sequer pensar no quanto gostaria que ficassem bem. E, com as devidas diferenças, a “Papisa Joana” voltou-lhe à lembrança.

A escrita e os artefactos

Para quem gosta de escrever uma caneta é a extensão de si próprio e um caderno o seu reflexo. São objectos especiais e, por isso, tratados ...