sexta-feira, 22 de abril de 2005

Triste olhar

Por mais que tentasse nunca iria conseguir explicar-lhe porque é que os seus olhos choravam sem que vertesse uma lágrima. Humedeciam, enchiam-se de água, e escorriam por dentro mas nem uma gota saía. Parado e fixando-a, continuava sem perceber se a cor daqueles olhos era verdadeira ou apenas o reflexo da tristeza que transmitiam. Ela negava, dizia que não chorava. Porque haveria de estar triste? Mas os olhos não mentiam e talvez fosse por isso que fixava um ponto no infinito e não o abandonava. E, por não perceber, ele não deixava de apreciar a beleza da expressão daquele triste olhar que tanto o encantava.

A escrita e os artefactos

Para quem gosta de escrever uma caneta é a extensão de si próprio e um caderno o seu reflexo. São objectos especiais e, por isso, tratados ...