quarta-feira, 6 de abril de 2005

Loucura

Sempre que me cruzo com alguém a falar e a gesticular sozinho no meio da rua, umas vezes de forma tranquila e outras muito acesa, roçando a agressividade, penso que a linha que separa a razoabilidade da loucura é extermamente ténue. Isso confunde-me um pouco, quase me amedronta porque realizo que, sem nos darmos conta, podemos falar, conversar e até gritar com fantasmas imaginários que vivem no inconsciente e que se aproximam do nosso pequeno mundo através dos sonhos. Um dia, os habitantes das nossas profundezas saltam e passam a fazer parte da nossa quotidianeidade. Estes são os loucos mais puros e mais inofensivos que nem nos vêem quando connosco se cruzam, apesar de nos serem desconfortáveis e de nos retrairmos sempre que os vimos naquela gesticulação enlouquecida, traduzindo um mundo tão próprio.
Mas mais estranho e mais assustador é quando nos cruzamos e convivemos, em algum momento da nossa vida com os loucos encobertos, aqueles que escondem a loucura com a normalidade. Estes só se dão a revelar nos seus piores momentos, através de acções perfidamente estudadas, encontrando um alvo e não o abandonando antes de o destruir. É com estes que temos de ter cuidado!

A escrita e os artefactos

Para quem gosta de escrever uma caneta é a extensão de si próprio e um caderno o seu reflexo. São objectos especiais e, por isso, tratados ...