sábado, 23 de abril de 2005

Complexo de inferioridade

Tenho um cão, um boxer de pelo amarelo, rapaz simpático e focenhudo, corpolento e mal encarado qb, muitíssimo eficaz na tarefa de desencorajar a aproximação de pessoas indesejadas. Mas, na verdade, é muito mais simpático, e dado a novos contactos, do que a própria dona, que é rapariga pacata que gosta da sua tranquilidade e a quem não agrada ser interpelada de forma desnecessária e com intuitos pouco claros.
Uma das minhas actividades predilectas é passear o “meu beiças”, usufruindo da sua alegre companhia e realizando caminhadas muito tranquilizantes. O único problema é que, nas proximidades vive um pincher, cuja dona teima em passear junto à minha porta, cão pequeno e irritante com problemas de identidade. Chama-se Miura e julga-se de tal forma valente que não tem a menor noção da realidade. Em cada vez que nos cruzamos com eles, aqueles 35 centímetros frenéticos investem cheios de agressividade e violência, com mau feitio e má disposição, em direcção ao “meu beiças”, que se mantem impávido e sereno parado e extasiado a olhá-lo sem compreender aquela atitude. Quando os outros se afastam, olha-me e suspira, emitindo um "bffff" que traduz o que sente. E eu partilho o "bfff" com ele!
Não fossem os cerca de 40 quilos de boxer tão calmos e pacatos, já não havia Miura com identidade de touro por estas bandas. Aquilo é um desassossego num dia só. Em minha opinião, a dona devia levá-lo a um psicólogo ou psiquiatra canino porque aquele complexo de inferioridade pode custar-lhe caro daqui a uns tempos, se ele tem o azar de se cruzar com um rotweiller ou um pitbull em mau dia. E já agora, podia ir também porque o feitio dela está longe de ser fácil... deve ser um problema de convivência, com certeza!

A escrita e os artefactos

Para quem gosta de escrever uma caneta é a extensão de si próprio e um caderno o seu reflexo. São objectos especiais e, por isso, tratados ...