sábado, 23 de abril de 2005

Interregno, descanso e lazer

Vou descansar, passear e comemorar o doutoramento. Usufruir de uma prenda oferecida pela mana. Uma viagem, mas desta vez não a África. Vou até ao centro da civilização. A civitas. Até breve. Até ao meu regresso.

Integração

Numa aula sobre Demografia e Movimentos de População em África, falando de migrantes, deslocados e refugiados, foi abordado o tema da integração e das medidas que requer para um resultado efectivo. Integração não é inclusão nem apenas inserção, apesar de implicar as duas, disse eu a dada altura. Os sorrisos abriram-se nas caras dos meus ouvintes, população africana com formação mínima de licenciatura. O debate surgiu de imediato por ser um tema sensível. Arriscando a possibilidade de confronto de opiniões opostas, vale sempre a pena falar nele.

Complexo de inferioridade

Tenho um cão, um boxer de pelo amarelo, rapaz simpático e focenhudo, corpolento e mal encarado qb, muitíssimo eficaz na tarefa de desencorajar a aproximação de pessoas indesejadas. Mas, na verdade, é muito mais simpático, e dado a novos contactos, do que a própria dona, que é rapariga pacata que gosta da sua tranquilidade e a quem não agrada ser interpelada de forma desnecessária e com intuitos pouco claros.
Uma das minhas actividades predilectas é passear o “meu beiças”, usufruindo da sua alegre companhia e realizando caminhadas muito tranquilizantes. O único problema é que, nas proximidades vive um pincher, cuja dona teima em passear junto à minha porta, cão pequeno e irritante com problemas de identidade. Chama-se Miura e julga-se de tal forma valente que não tem a menor noção da realidade. Em cada vez que nos cruzamos com eles, aqueles 35 centímetros frenéticos investem cheios de agressividade e violência, com mau feitio e má disposição, em direcção ao “meu beiças”, que se mantem impávido e sereno parado e extasiado a olhá-lo sem compreender aquela atitude. Quando os outros se afastam, olha-me e suspira, emitindo um "bffff" que traduz o que sente. E eu partilho o "bfff" com ele!
Não fossem os cerca de 40 quilos de boxer tão calmos e pacatos, já não havia Miura com identidade de touro por estas bandas. Aquilo é um desassossego num dia só. Em minha opinião, a dona devia levá-lo a um psicólogo ou psiquiatra canino porque aquele complexo de inferioridade pode custar-lhe caro daqui a uns tempos, se ele tem o azar de se cruzar com um rotweiller ou um pitbull em mau dia. E já agora, podia ir também porque o feitio dela está longe de ser fácil... deve ser um problema de convivência, com certeza!

sexta-feira, 22 de abril de 2005

Desejos

"Não desapareças agora" - teve vontade de lhe pedir, mas sabia que esse era um desejo irrealizável e uma pessoa só deve desejar o que pode ter. E sabia que aquele era apenas mais um momento que ficaria registado na sua memória. Por isso, após os encontros em que os afectos os aproximavam, ela calava-se e não conseguia dizer uma palavra. Mas pensava. Pensava muito, demais.

Triste olhar

Por mais que tentasse nunca iria conseguir explicar-lhe porque é que os seus olhos choravam sem que vertesse uma lágrima. Humedeciam, enchiam-se de água, e escorriam por dentro mas nem uma gota saía. Parado e fixando-a, continuava sem perceber se a cor daqueles olhos era verdadeira ou apenas o reflexo da tristeza que transmitiam. Ela negava, dizia que não chorava. Porque haveria de estar triste? Mas os olhos não mentiam e talvez fosse por isso que fixava um ponto no infinito e não o abandonava. E, por não perceber, ele não deixava de apreciar a beleza da expressão daquele triste olhar que tanto o encantava.

Inspiração

"Onde vais tu buscar inspiração para escreveres tanto?" - perguntou-lhe um amigo que, apesar de não estar explicitamente identificado, se revia numa grande parte dos textos, que ela insistia em partilhar com o Mundo.
Ela sorriu e respondeu-lhe com um ar vago: "É a vida que me inspira" - Ela não podia e não queria admitir, muito menos para ele, que a grande e verdadeira fonte de criatividade estava ali mesmo à sua frente, a olhar para ela e a inspirá-la uma vez mais. Se os sentimentos estavam ainda à flor da pele e não era suposto falar deles, ela não falaria.

Cumplicidades

O encontro decorreu em clima de normalidade aparente, aliás como era habitual. Não houve palavras amargas nem desgostosas. Falaram de tudo e de nada, evitando o encontro dos olhares, que quando acontecia os traía. A conversa fluía naturalmente, falando dos problemas do dia-a-dia como se estivessem estado juntos horas antes. Foi assim desde sempre, quando se encontraram pela primeira numas das Africas pelas quais os dois passaram, mas desta vez na mesma altura. Apesar da cumplicidade e da intimidade, havia temas sensíveis que não só não eram abordados como evitados: os sentimentos, os desejos, as expectativas, que ficavam na esfera do entendimento subjacente.

Para ti

Este post é dirigido a uma pessoa que não vou nomear mas que sabe quem é. "Just to remember" ou melhor "to never forget". Porque a uma promessa não se pode faltar. E um dia prometeste-me honestidade.

If you search for tenderness,
it isn't hard to find
You can have the love you need to live
But if you look for truthfulness
You might just as well be blind
It always seems to be so hard to give
Honesty is such a lonely word
Everyone is so untrue
Honesty is hardly ever heard
And mostly what I need from you
I can always find someone to say they sympathize
If I wear my heart out on my sleeve
But I don't want some pretty face
To tell me pretty lies
All I want is someone to believe
I can find a lover,
I can find a friend
I can have security until the bitter end
Anyone can comfort me with promises again
I know, I know
When I'm deep inside of me, don't be too concerned
I won't ask for nothin' while I'm gone
But when I want sincerity
Tell me where else can I turn
Because you're the one that I depend upon
Billy Joel

quarta-feira, 20 de abril de 2005

Memória curta

Será possível que o Mundo seja de tal forma dinâmico que já é permitido ao Nino Vieira candidatar-se à Presidência da República na Guiné Bissau? É verdade que voltou à Pátria e foi aclamado quase como um herói, e isso já não é de todo normal, mas esta formalização é demais. Estarão já todos esquecidos do que se passou há uns anos atrás? Não foi assim há tanto tempo!!!

Tolerâncias

Passei a manhã a ouvir falar sobre África e as dificuldades que por lá se vivem, e da minha cabeça não saiu a ideia de STP estar a enfrentar um surto de cólera. Não me espanta mas entristece-me. Não me admirei quando ouvi a notícia pela primeira vez porque quem conhece aquela terra e aquelas gentes como eu só pode estranhar que o problema não tivesse surgido antes. A inexistência de esgotos e de saneamento adequado, a vulgarização da falta de higiene como prática de normalidade, a ausência de informação generalizada e a pouca, ou nenhuma, preocupação com a formação, a educação e a informação levam de forma quase natural à proliferação de doenças e epidemias. É revoltante que, num país que subsiste por causa da Ajuda ao Desenvolvimento e da Cooperação Internacional, que injecta anualmente milhões, seja sempre a população a receber estes efeitos.
Dá vontade de dizer bem alto: É PRECISO MUDAR AS MENTALIDADES NO QUE À HIGIENE, À SAÚDE E A ALGUMAS PRÁTICAS DIZ RESPEITO. É PRECISO MELHORAR EFECTIVAMENTE AS CONDIÇÕES DE VIDA DAS POPULAÇÕES, PORQUE SE ASSIM NÃO FOR, MEUS CAROS GESTORES DO PODER PÚBLICO, NÃO HAVERÁ DESENVOLVIMENTO NEM DAQUI A 5 MILHÕES DE ANOS!!! STP TEM UMA POPULAÇÃO QUE NÃO CHEGA AOS 140.000 HABITANTES... ENTENDEM O QUE ISSO SIGNIFICA?????

terça-feira, 19 de abril de 2005

O mistério do futuro

Num dia de desespero Alice decidiu-se a ir consultar pessoa conhecedora das artes de prever o futuro. A vida corria-lhe mal e ela queria, a todo o custo, alterar o ciclo negativo em que vivia. Nem ela própria sabia se acreditava no estranho mundo das adivinhas, mas uma coisa era certa: não perdia nada. Ia com espírito aberto, pensando que tudo o que poderia ouvir naquela tarde solarenga não podia ser pior do que o sufoco de desesperança em que vivia nos últimos anos. E lá foi.
Ao chegar foi recebida por um olhar perscrutador do outro lado que foi substituído por um sorriso que tentou demonstrar acolhimento. Sentiu-se de imediato avaliada mas pensou “nestes milésimos de segundos, ninguém pode ler os meus pensamentos, o meu passado e o que virá a seguir”. Foi conduzida para uma sala que lhe pareceu pequena, desprovida de móveis, com excepção de uma mesa e duas cadeiras. A mesa estava coberta por um pano verde e no topo tinha um baralho de cartas de tarot e um outro “normal de jogar”, umas folhas lisas, uma caneta, uma vela apagada que nunca foi acesa, e uma taça com água e umas plantas que lhe pareceram nenúfares.
A sessão começou com uma reza de olhos fechados, numa tentativa da “mestre” receber as energias de Alice, que se sentia com um misto de apreensão e de vontade de rir, sabe-se lá se pelo nervosismo ou pela estranheza do ambiente. Decorreram longos minutos de silêncio, em que as cartas foram distribuídas com cuidado e misturadas com saber, viradas e analisadas. A consulta começou com uma leitura geral para os tempos mais próximos. Alice encontrava-se a viver um ciclo que só se alteraria após 4 anos, pelo que não valia a pena contrariar a lógica dos acontecimentos. Afinal o karma sempre existia... Daqui foram às particularidades e aos diferentes sectores da vida – o trabalho, o dinheiro, os amores, a saúde.
Foi vista uma viagem de trabalho para terras distantes e muitas mudanças no trabalho que resultariam em sucesso e em dinheiro, mas não de forma imediata, nada de grave na saúde e novo amor, pessoa que não conhecia à data da consulta, que surgiria sem que ela o quisesse ou desejasse. Mas mais uma vez, este homem desconhecido, um pouco mais velho mas não muito, seria kármico, pelo que não valeria a pena negá-lo. E no que respeita a este assunto, Alice sorriu com cepticismo.
Depois, e a pedido de Alice, regressaram ao passado e a “mestre” acertou nos pormenores, o que lhe causou desconforto. E assim se despediram, com muitos conselhos e recomendações. Afinal, Alice era intuitiva e concentrava as energias em si, as boas mas também as mais negativas que a conduziriam a estados menos felizes de quando em vez. Desceu o elevador a rir sozinha e a pensar “E se eu me dedicasse à adivinhação?”.

segunda-feira, 18 de abril de 2005

Imaginário(s) Africano(s)

Dizer que África está no imaginário de quase todos nós não é real e muito menos verdadeiro, já que se trata de um continente constituído por pequenos grandes mundos, repleto de diversidades: culturais e sociais, paisagísticas e ambientais... Cada vez mais penso que cada pessoa, que tem este magnífico continente no seu imaginário, tenha lá vivido, ido ou apenas com ele sonhado, tem uma representação africana diferente. Não há um mas vários imaginários, tal como há uma imensidade de pessoas e muitas Áfricas diferentes. Mas todas elas absolutamente inspiradoras... É também isso que torna aquele espaço físico e cultural tão especial: a riqueza resultante da diversidade...

domingo, 17 de abril de 2005

Aquela era a África que...

Aquela era a África que me fascinou e seduziu, pela qual me apaixonei e, para sempre, me deixei encantar. Ali todos os sonhos foram tornados realidade e as vivências eternizadas. Guardei-as dentro de mim, depois de as ter registado, uma a uma, nos cantinhos mais escondidos da minha memória, auxiliada por fotografias, palavras passadas para um papel, umas de forma articulada e outras nem tanto, desenhos e rabiscos, conchas e cocos envernizados por mim em momentos de tranquilidade e que aproveitei para espalhar por todo o lado por onde passo.

Hoje, longe destas Áfricas por onde fui passando e que me deixaram marcas profundas, que jamais me abandonarão, vou, de tempos a tempos, retirando as lembranças em função do que quero recordar e reviver. Houve dias bons e maus, ternos e angustiantes, aventureiros ou arriscados e monótonos, que voaram à minha frente sem que desse conta da sua passagem ou que se atrasaram, fazendo com que os minutos demorassem séculos a passar. E, na verdade, todos os momentos foram importantes para a pessoa que hoje sou porque me fizeram crescer, aprendendo de forma positiva, alegre e feliz com pessoas inesquecíveis, mas também com a tristeza das desilusões que resultam de entregas indevidas, seja no amor, na amizade ou no simples conhecimento.

sábado, 16 de abril de 2005

Roça Bombaim, um dia de aventura

Num final de noite, depois de um jantar reconfortante e tranquilo com alguns membros da família, preparámo-nos para a viagem de regresso a casa. A conversa surgiu uma vez mais e hoje dou comigo a pensar porque será que acabamos sempre as nossas conversas a falar sobre África. Desta vez o tema foram as experiências que por lá tive que, para mim, foram vividas intensamente com espírito de aventura e hoje lembradas com gosto e um sorriso saudosista mas, para elas, como apenas mais umas vivências inconscientes e arriscadas da minha parte. É verdade que implicaram algum risco, mas a vida tem-me ensinado que algumas das coisas que nos dão mais prazer são aquelas que mais exigem de nós e, que por isso mesmo, pressupõem uma margem de incerteza.
Falávamos de uma ida a Bombaim aquando de uma das visitas da minha irmã mais velha a STP. Ela tinha muita curiosidade em conhecer aquela roça, emblemática por ter sido conduzida por uma família que viera da Índia, daí o seu nome, que trouxera consigo o famoso mangustão, introduzindo o fruto na ilha. Depois, era uma das roças que estava a ser aproveitada com fins turístico, bem no interior da ilha de São Tomé, região habitada pela temível cobra preta, com grande densidade florestal, e por isso de grande beleza paisagística, com um acesso que, só por si e em dias de sol e bom tempo, representava uma aventura. A estrada de ligação entre a Milagrosa e Bombaim era de terra – uma picada com passagem de um carro de cada vez – em muito mau estado, cheia de buracos, agravados pelas chuvas quase diárias no interior da ilha tendo, de um dos lados, do esquerdo, uma vista deslumbrante para a floresta. Mas, olhando para baixo, sentíamos a vertigem de ver um precipício sem fim, percebido não só por não termos a noção de onde ficava o chão mas também pela altura incálculável das árvores. A hipótese de retorno, com inversão de marcha, era praticamente impossível pela largura da estrada, uma vez a caminho a opção era seguir em frente. Um deslize de terra podia mesmo ser fatal e as possibilidades de busca eram muito limitadas pela ausência de meios, dificuldade de contactos e morosidade do socorro. Ali, tudo é “leve-leve só”, até em caso de acidente.
De facto, aquela viagem representava uma aventura mas, na minha mais do que modesta opinião, muitíssimo compensadora. O deleite para os olhos, a tranquilidade dos verdes intercalados pelo amarelo alaranjado das eritrinas, leutrineiras como os santomenses rurais lhes chamavam, os cursos de água e a magnífica Cascata de Bombaim. Valia a pena, pensei eu! E lá fomos, nós as duas e a irmã de um cooperante que também estava de visita e férias antes do seu casamento, que teria lugar no mês seguinte.
Para animar o ambiente, criando expectativa, e aumentar os níveis de adrenalina, chovia. Não chovia torrencialmente, não eram sequer chuvas tropicais, mas sim aquela chuva miudinha que vai molhando, penetrando a terra e alimentando o verde. Choveu só depois da Milagrosa, ou seja após termos entrado em piso de terra, com precipício do lado esquerdo e uma parede de terra do lado direito. O jipe derrapou vezes infinitas nos sulcos de terra lamacenta e, não será necessário dizer que, fizemos o percurso todo com redutoras, pelo que a velocidade não foi, nem podia ser, a tónica dominante da viagem. As minhas companheiras de passeio não iam muito à vontade, apesar de tentarmos acompanhar, o mais afinadamente que conseguimos, o Kalú Mendes que cantava na rádio. Chegámos, depois de eu ter batido numa pedra, que fez um tremendo estrondo, mas que, como é meu hábito nestas coisas, relativizei. É que não vale muito a pena aumentarmos a apreensão decorrente de momentos dramáticos, porque só faz com que o desconforto aumente.
Almoçámos em Bombaim e elas visitaram a roça. A D. Genoveva – Veva – estava feliz com a visita e serviu-nos o melhor que podia, com cordialidade e o sorriso de sempre. De repente, a meio do almoço, chegou um grupo de santomenses, que terão passado pelo mesmo calvário que nós, entraram na sala e disseram qualquer coisa que, com o stress do dia, eu não entendi mas o meu raciocínio descortinou apenas qualquer coisa como “de quem é aquele carro que tem fogo?”. Eu levantei-me num pulo, e a minha tranquilidade foi traída pela realidade da minha apreensão escondida, fiz a minha cara de alucinação em momento de crise e com os olhos abertos até à exaustão perguntei “O carro está a arder? Carro? Qual carro?”. Inconscientemente comecei a traçar o problema que teria pela frente, já que não havia seguros e a responsabilidade daquele jipe com 2 anos de vida era integralmente minha... Eles riram até não poderem mais e disseram com o ar calmo que só os santomenses conseguem ter “Dona, não tá a arder. Tem furo!”.
O regresso foi mais apreensivo, pelo menos para elas de forma exteriorizada, que já se viam engolidas pelas cobras, pelo Obô, o Parque Natural, e por qualquer outra coisa que pudesse aparecer. A D. Veva fez o caminho à nossa frente, não fosse acontecer mais algum percalço, separando-se de nós apenas na Milagrosa, onde a estrada não sendo brilhante era de alcatrão.
Tudo acabou bem e, apesar do risco, só lá indo é que pudemos viver tão intensamente a floresta santomense, nos sons, nos cheiros, nas cores, nas sensações. Foi um dia emocionante que, para mim, valeu a pena! E como este houve mais. Em terra e em mar...

quarta-feira, 13 de abril de 2005

Nem sabes quanto...

- Tenho saudades tuas... - disse ele olhando-a fixamente após um doce momento de ternura.
Ela não respondeu por palavras porque não conseguiu dizer nada, apesar de lhe querer dizer muito. Mas pensou - "também eu... nem tu sabes quanto..."

Passagem de Testemunho

O Testemunho foi-me passado pela Pitucha e pelo Carlos Gil. Aqui vai:
Não podendo sair do Fahrenheit 451, que livro quererias ser?
"Chocolate" de Joanne Harris, porque me permitiu sentir os cheiros doces, amargos e com um travo picante nas descrições sobre a confecção. E o enredo é brilhante: a criança e o amigo imaginário, os ciganos, o padre e a aldeia pequenina onde tudo o que acontece se sabe, e até o que não chega a acontecer passa a ser motivo. Mas sobretudo pela determinação que está implícita.
Já alguma vez ficaste apanhadinha(o) por um personagem de ficção?
Não.
Qual foi o último livro que compraste?
"A Filha do Capitão" como prenda de anos para um amigo, mas acabou por ficar de empréstimo nas minhas mãos.
Que livros estás a ler?
"A Filha do Capitão" e a reler "O Rei, o Sábio e o Bobo"
Que livros (5) levarias para uma ilha deserta?
"O Pincipezinho" do Saint Exupéry; "Equador" do Miguel Sousa Tavares, claro para reler; "Manual do Guerreiro da Luz" do Paulo Coelho; "A Ilha das Três Irmãs" e os seguintes da Nora Roberts
A quem vais passar este testemunho (três pessoas) e porquê?
Até me sinto no reality show... é que não queria excluir ninguém. E já confirmei que muitos outros já tiveram o testemunho passado, pelo que aguardemos que respondam também à "chamada". Assim sendo, mando já beijinhos para todos e cá vão os meus votos:
- Cacusso porque me inspira numa área que domino mal, a poesia
- Helena porque vive, recria e conta
- Margens pela doçura das palavras e das imagens

Feliz Associação

No Kitanda é feita uma feliz associação entre uma fotografia da Baía de Ana Chaves, em São Tomé, e um poema da Alda Espírito Santo. Vejam aqui. A bem dizer da verdade, o blog prima pelas felizes associações entre imagens e poesias, pelo que é sempre agradável passar por lá.
Da minha parte, aqui fica um agradecimento, é que a fotografia é da minha autoria e está publicada no blog das Caminhadas e Descoberta em São Tomé e Príncipe.

terça-feira, 12 de abril de 2005

LZEC 2005

Os rapazes dos jipes estão a preparar-se para uma nova incursão por São Tomé. O Latitude Zero 2005 começa a mexer. Lá vou eu escrever, escrever e escrever sobre ambiente, áreas protegidas e espécies endémicas. E recomendar para terem infinitos cuidados. Já sei a resposta que me vão dar "Nós temos! Ou acha que queremos estragar o paraíso?".

Há dias assim...

Há dias assim como o de hoje. Por mais que uma pessoa se esforce, a falta vontade e de estímulo não permitem avançar. E as forças cósmicas parece que se reuniram e estão todas de feição a ajudar ao marasmo... É um estrafego... um sufoco...

segunda-feira, 11 de abril de 2005

Obrigada...

Um agradecimento a todos os que lêem o "África de Todos os Sonhos" e que têm feito referências e comentários muito simpáticos. Desta vez, queria deixar aqui um obrigado especial para a Chuinguita porque tem sido sempre incansável comigo e a Pitucha que faz uma referência de destaque.

Nostaláfrica III

Ser-se nostálgico com quem não conheceu, não viveu e não sentiu África pode ter duas consequências perfeitamente opostas. A saber:
1. Acham-nos uns chatos saudosistas. A conversa torna-se num monólogo, que termina muitas vezes em discussão e com a expressão ofendida e ofensiva "Mas se gostas tanto e é lá que te sentes bem, porque não vais para lá?". Nestes casos a conversa fica por aqui, depois de um levantar de voz em que os saudosistas e os não saudosistas tentam fazer valer os seus argumentos, sem o conseguirem e sem mudarem de opinião. É desgastante e torna-se, ao fim de algumas tentativas, um desconsolo traduzido em desencontros. Não vale a pena porque estas duas mentes nunca se hão-de entender no que a África diz respeito.
2. Acham-nos pessoas interessantes, com um passado repleto de vivências invejáveis e sedutoras, por termos conhecido culturas diferentes, ambientes ricos e cheios de diversidade. As conversas tornam-se num diálogo permanente de perguntas e respostas porque tudo o que contamos nunca é suficiente, já que os nossos interlocutores querem saber sempre mais do que aquilo que lhes contamos. Estas conversas são um desafio porque começamos a falar de florestas ou de espécies ameaçadas e acabamos a conversa nas práticas de feitiçaria. É que, em África, tudo tem relação com tudo. É impossível falarmos de um tema sem o relacionarmos com outros 30.000.

Nostaláfrica II

E a minha "nostaláfrica" acaba por ser voluntária e auto-incentivada. Gosto daquele continente e não há dia em que não me lembre de, pelo menos, dois ou três acontecimentos ali vividos. Foram momentos felizes e, como em tudo na vida, com o tempo tendemos a eliminar as vivências menos boas. Vamos "apagando" da memória os maus encontros, os dias de tristeza e de angústia, para ocuparmos a maioria do espaço disponível com os pôres do sol de cores fortes, com as paisagens densas, com as primeiras sensações ao experimentarmos novos paladares e sentirmos cheiros, até aqui, desconhecidos.
Por uma razão ou por outra, cá continuo a escrever sobre África, seja nos momentos de lazer, relembrando sonhos vividos ou idealizando outros, seja nos momentos de trabalho. Mas nem sempre a inspiração ajuda e é nestes que apelo à nostalgia, reavivando lembranças, repescando sonhos, revendo fotografias, reencontrando amigos e partilhando em conjunto o mesmo sentimento de saudade e de vontade de regressar.

Plataforma das ONGDs dos Países de Língua Oficial Portuguesa

O programa para o encontro de 26 e 27 de Abril em Lisboa pode ser consultado AQUI

domingo, 10 de abril de 2005

Nostalgia de África ou Nostaláfrica

Almoçava com um amigo de uns anos, não muitos, mas os suficientes para saber que aquela amizade seria para sempre. Conheceram-se numa África quente, que permitiu viver sonhos até áquele momento impensados. Partilharam meses, semanas, dias, horas e minutos. Viveram emoções únicas, tiveram em conjunto muitas vivências felizes e outras marcadas pela tensão das despedidas.
- Aquela foi uma tarde muito gira - comentou ele ao ver umas fotografias, publicadas numa revista, de tartarugas bebés a caminho do mar, e que ilustravam um artigo sobre protecção de espécies.
- É verdade, tens razão, foi um dia espectacular. África cria-nos destas coisas - disse ela, a meio da conversa, com um sorriso estampado no rosto e um olhar vago - uma nostalgia infinita, uma vontade de agarrar o tempo passado e de reviver uma vez mais todos os bons momentos. Mas é um sentimento bom, não é?
- É... - respondeu ele simplesmente porque não havia muito mais a dizer.
- Já pensaste que lhe podíamos chamar "nostaláfrica", a nostalgia de África que veio para ficar e se instalou dentro de nós, e que nós também não queremos deixar partir... porque, sempre que nos lembramos, voltamos a viver tudo de novo e uma vez mais somos felizes...

sexta-feira, 8 de abril de 2005

Terres d'Aventure

As propostas de viagens ecoturísticas apresentadas pela Terres d'Aventure são fantásticas. A filosofia da viagem passa por actividades de contacto com a natureza, tais como as caminhadas, a escalada, a canoagem e o kayak, o cavalo e outras formas alternativas de locomoção, com o objectivo da descoberta.
Mas há muito mais em África: Namíbia, Etiópia, Quénia, Tanzânia, Madagascar, Mali, Botwana, Uganda, Reunião, Senegal, Togo, Benin, Zambia e Malawi.

quarta-feira, 6 de abril de 2005

Moçambique IV

A saga moçambicana causava angústia a Lai, sempre que se lembrava de cada minuto ali vivido, das histórias ouvidas em conversa de café e que, sem perceber porquê, acreditara, na forma como aquele romance, se é que algum dia o foi, se desenrolou. Aos tropeções, aos baldões, com incompreensão, muita violência e agressividade, nos gestos e nas palavras. E a verdade é que, mais tarde, tudo se confirmou, o que ela ouvira e do que desconfiava, mesmo sem razão. O pior acabou mesmo por acontecer e por marcar Lai da pior forma.
Já em Lisboa, após terem passado anos do regresso de Maputo, e sem lá ter regressado, mas com a certeza que um dia voltaria, Lai pensava: É fantástico como algumas pessoas nos enganam, uma e outra vez, sucessivamente, de forma voluntária e pensada, sem que nos demos conta disso. Pode ser até ingenuidade, mas não será bom acreditarmos sempre que todas as pessoas têm uma parte boa? Teremos de reconhecer e aceitar que há pessoas que, vá-se lá saber porquê, são desprovidas de bons sentimentos só porque são desestruturadas e por terem vivido experiências menos boas no passado? Mas isso todos vivemos... E a sua “história moçambicana”, como gostava de a referenciar, apesar de não o ser de facto, só por ter sido vivida naquele magnífico território, veio-lhe uma vez mais à memória como um flash, claro e nítido, fazendo-a arrepiar.
Quando regressou, Lai falou com uma amiga que conhecera MI e que dele tinha a melhor das impressões, e o comentário que ouviu foi: escreve isso e publica, essa é uma história que vale a pena ser escrita e lida. Mas Lai não gostava de falar sobre a sua intimidade e muito menos a desconhecidos. E o relato da história foi ficando para melhores dias. Um dia escrevo, dizia Lai a si mesma, um dia. Ela nunca chegou a ter coragem de a contar, palavra por palavra, porque sentia vergonha da humilhação por que passou com uma pessoa que não mereceu um centésimo de grama de afecto e de atenção, a quem mais tarde Lai tentou perdoar sem o conseguir porque as marcas deixadas por aquele indivíduo foram maiores do que qualquer outra coisa na vida.
Hoje sou eu a relatá-la.

H-Luso Africa

Quem se interessa por África deve passar por H-Luso Africa

Loucura

Sempre que me cruzo com alguém a falar e a gesticular sozinho no meio da rua, umas vezes de forma tranquila e outras muito acesa, roçando a agressividade, penso que a linha que separa a razoabilidade da loucura é extermamente ténue. Isso confunde-me um pouco, quase me amedronta porque realizo que, sem nos darmos conta, podemos falar, conversar e até gritar com fantasmas imaginários que vivem no inconsciente e que se aproximam do nosso pequeno mundo através dos sonhos. Um dia, os habitantes das nossas profundezas saltam e passam a fazer parte da nossa quotidianeidade. Estes são os loucos mais puros e mais inofensivos que nem nos vêem quando connosco se cruzam, apesar de nos serem desconfortáveis e de nos retrairmos sempre que os vimos naquela gesticulação enlouquecida, traduzindo um mundo tão próprio.
Mas mais estranho e mais assustador é quando nos cruzamos e convivemos, em algum momento da nossa vida com os loucos encobertos, aqueles que escondem a loucura com a normalidade. Estes só se dão a revelar nos seus piores momentos, através de acções perfidamente estudadas, encontrando um alvo e não o abandonando antes de o destruir. É com estes que temos de ter cuidado!

terça-feira, 5 de abril de 2005

ECO

O termo eco vulgarizou-se. E sou eu que o digo, uma apaixonada pelas questões ambientais, apesar de não me sentir uma ambientalista, pura e dura. Mas defendo os projectos ambientalmente integrados, o ecoturismo, a ecopedagogia, a própria ecologia. Mas há pouco fiquei absolutamente fascinada com uma outra denominação que ainda nunca tinha encontrado - um "eco-friend".

Just me...


Posted by Hello

Reflexões

São estranhas e confusas as minhas sensações porque muito contraditórias. Sei o que quero e tenho medo de querer, sei o que procuro e tenho medo de encontrar. Os dias passam numa sucessão de minutos, uns atrás dos outros, permitindo que a sensação de incompletude me invada. Dias vividos de forma rotineira, monótona e quase maquinal. Acho que é isso que procuro quando vou para África, a fuga à rotina e ao quotidiano... a procura e o reencontro com a diferença!
Algures no combóio entre Cascais e Lisboa, Janeiro de 2002

(In)definição de sentimentos

Tenho, com alguma frequência, dificuldade em definir sentimentos, particularmente os meus. Também tenho dificuldade em compreender, interpretar e explicar os sentimentos dos outros em relação a mim, em especial de algumas pessoas que, pela incongruência das atitudes, me confundem. E, apesar de tudo, faço um esforço sobre-humano para relacionar estas dificuldades, tentando ultrapassá-las...
São Tomé, Janeiro 2003

Sentimentos

Há sentimentos bons e maus, que ora nos fazem sentir bem, nos estimulam e funcionam como uma injecção de adrenalina no auge de uma overdose, ora nos põem a ressacar, fazendo-nos sentir os seres mais miseráveis à face da terra. E há pessoas que nos transmitem estas diferentes formas de sentir.
São Tomé, Janeiro 2003

O Grande Amor

"A maioria não aguenta que alguns escutem a voz do grande amor e a sigam até ao fim dos seus dias"
"Leia «Longtemps», romance do amor inesquecível, de Erik Orsenna, se não tiverem ainda alcançado os óculos crespusculares que vos permitirão ler a história do vosso próprio coração. O amor entre um homem que abandona tudo pela mulher que o amará a vida inteira sem abandonar nada por ele"
"Há quem morra sem saber quem amou. Há quem seja capaz de ver, aos vinte e poucos anos, que j+a encontrou a pessoa da sua vida, mas que só conseguirá entender-se com ela depois dos cinquenta - por excesso de fogo cruzado"
Inês Pedrosa in "O grande Amor", Revista Única, nº 1686 de 18 de Fevereiro de 2005

segunda-feira, 4 de abril de 2005

Falta de paciência

A verdade é só uma: perdi a paciência com aqueles dois, um e uma, com as histórias inventadas e recriadas, com o entrelaçar de enredos.

ALQVIMIA

Porque há pequenos prazeres que se tornam grandes.
De lamentar que a ALQVIMIA não exista em Lisboa.

domingo, 3 de abril de 2005

Chega!

"Primeiro você me azucrina
Me entorta a cabeça
Me bota na boca um gosto amargo de fel
Depois vem chorando desculpas
Assim meio pedindo
Querendo ganhar um bocado de mel"

Gonzaguinha, "Grito de Alerta"

Capítulos

A vida dela era feita de capítulos, uns longos e outros curtos, uns que se tornavam reais, e até demasiado, enquanto que outros não passavam de sonhos. A vida dela em África foi marcada por episódios, uns que se transformaram em capítulos e outros que não passaram disso mesmo, um episódio sem importância. Mas ela conseguia identificá-los um por um, falar sobre eles, descrevê-los, explicar os sentimentos associados, as pessoas envolvidas, a importância dos efeitos decorrentes. Nada lhe escapava porque, para o bem e para o mal, a memória era um dos dons com que nascera.
E está na altura de regressar ao tema Moçambique. Muito em breve a história continuará, ponto por ponto.

Perfídia

Tinha uma infinita capacidade de se surpreender com as características de algumas pessoas. Costumava chamar-lhes qualidades por serem intrínsecas e estruturais e não pelo sentido positivo que normalmente se lhes atribui. A perfídia era uma das que a enervavam mais e para a qual ela se revelava completamente intolerante. E sem querer nomear ninguém porque não gostava de personalizar os sentimentos, a não ser os excepcionalmente bons, reconhecia que algumas pessoas que conhecia, outras que julgava conhecer e outras ainda que pensara que um dia viria a conhecer, mas que o tempo e as atitudes à distância eliminavam qualquer vontade, eram pérfidas.

Africanidades

Passem pelo Africanidades e não percam o post "João paulo II e África". Fantástico.

Margens

No Margens os textos e as imagens fazem-nos sonhar e viajar. Não perder o post "De Ouro e Prata"

Há coisas

Há, há coisas e há pancas, muito maiores do que as minhas, que são inocentes, ingénuas, passageiras, previsíveis, lineares, inócuas, entre outros tantos adjectivos de qualificação. Mas há quem tenha pancas grandes, imensas, infinitas, intoleráveis, arquitectadas, permanentes, imprevisíveis, complexas. Para estas, como uma ex-colega minha diria, "Já não há..." paciência que aguente (eu termino a frase dela porque não me parece bem publicar a original no blog!!!! Mas imaginem o que viria no lugar das reticências).

Tinha dias assim

Tinha dias assim, em que gostava de se sentir uma diva, bonita e observada, comentada e apreciada, causadora de inveja feminina perante os olhares intensos dos homens. Não que fosse bonita de facto, mas havia qualquer coisa nela que cativava, chamando a atenção e prendendo-a. Não era naturalmente sedutora mas seduzia, sem fazer por isso. Nem ela sabia explicar como ou porquê e isso fazia-a sentir bem. Tinha dias. E tinha outros em que fazia por parecer feia, sentindo a irritação crescer no seu interior sempre que via alguém olhá-la, fixando-a, ficando preso a sabe-se lá o quê. Porquê? Porque tinha dias em que, olhando o espelho, não gostava do que via e queria que todos fizessem também essa avaliação. Mas havia qualquer coisa nela que cativava, estando bonita ou feia.

Porque gostava de João Paulo II

Gostava deste Papa porque ele reunia um conjunto de requisitos que considerava importantes. Ao olhar para a sua figura reconhecia um olhar terno, atento e compreensivo, a sua figura inspirava bons sentimentos, de bondade e de perdão. O seu Papado caracterizou-se pelo conservadorismo em questões que eu própria considero fundamentais e que requerem capacidade de acompanhamento das mudanças, tais como o uso de preservativo ou o reconhecimento e o respeito das opções e das diferenças sexuais e do foro mais íntimo, desde que não se prejudique ninguém, como é óbvio. Mas a sua actuação marcou pela diferença na abordagem de temáticas importantíssimas. Foi um Papa aberto às diferenças culturais e à aproximação de povos, reconhecendo as diferentes religiões e crenças, procurou conhecer todos os cantos do Mundo e a civilização no sentido mais abrangente, na procura incessante da Paz. Representou a personificação do sofrimento resignado, e sendo um Homem de comunicação morreu sem falar.
Apesar das dúvidas existenciais e de contornos religiosos que me assolam de quando em vez, este foi um Papa que admirei pela convicção e pela força, pela capacidade de lutar e por nunca desistir. Fiquei triste com a sua morte, porque ao fim de mais de 20 anos a vê-lo, sei que terei dificuldade em gostar tanto do próximo, mesmo sem saber quem ele é. Levarei tempo a afeiçoar-me de novo, porque precisarei de sorrir com as atitudes pouco protocolares e de aproximação aos fiéis, com a determinação que transmite confiança e com a fé inabalável. Que João Paulo II descanse em Paz e que o novo Papa, que não terá por certo um trabalho fácil, faça um bom trabalho.

sábado, 2 de abril de 2005

Hoje

Hoje, tal como todos os dias do ano, é dia de aniversário para alguém.
Hoje é, para mim, um dia especial porque um amigo faz anos. Tem nome de flor e cheiro natural, cativa como um jardim e talvez também por isso lhe tenha oferecido, em tempos, um dos meus livros preferidos, emblemático mas que para alguns pode parecer um "fait divers": O Principezinho do Saint Exupéry.
Ele mereceu-o porque era um amigo especial, diferente de todos os outros, por todas as razões e mais algumas. Mas a principal era ter-me cativado. E o que é cativar, perguntou-me ele numa das longas conversas que tinhamos, iluminados pela luz das velas enquanto bebericávamos um chá, acompanhados pela música de um dos 80 cds que eu levara comigo. A resposta para estas e outras dúvidas, pensei, estava naquele pequeno livro que nos fala de amizade, da importância dos pormenores e de tantas outras coisas. Ele já o tinha mas, segundo confessou, nunca lhe dera a devida atenção. Foi em África que o leu, depois de eu o ter oferecido. Nada mais adequado.
Aqui fica um beijinho de Parabéns:
" - O que é um ritual? - perguntou o Principezinho
- Também é uma coisa de que toda a gente se esqueceu - respondeu a raposa - É o que faz com que um dia seja diferente dos outros dias e uma hora diferentes das outras horas(...)"

Leve leve

Sabe bem viver um dia atrás do outro, devagar devagarinho, como diria um qualquer santomense com um grande sorriso na face e um olhar tranquilo: "leve leve só". Nem sei porquê mas é bom ouvir a chuva cair e vê-la escorregar pelos vidros, sentir o cheiro da terra molhada e olhar o mar, cheio e escuro num dia de temporal. É bom deixar o tempo passar calmamente e perceber a infinidade de coisas que se pode fazer em 60 segundos, quanto mais numa hora.

sexta-feira, 1 de abril de 2005

O Papa

Gosto deste Papa, apesar de nem sempre ter estado de acordo com as ideias por ele defendidas e professadas. Mas gosto dele e lamento muitíssimo o sofrimento que tem tido ao longo da sua vida. Este Homem vai ficar para a História porque, acima de qualquer outra coisa, tem sido um exemplo de fé, de resignação perante a dor e o sofrimento, de confiança e de determinação, de luta e de força de vontade. A Ele presto a minha homenagem enquanto está vivo. E aqui fica expressa a minha admiração pela forma como viveu.

A escrita e os artefactos

Para quem gosta de escrever uma caneta é a extensão de si próprio e um caderno o seu reflexo. São objectos especiais e, por isso, tratados ...