sexta-feira, 4 de março de 2005

Já lá estou

Já lá estou, sinto-me como se estivesse em STP, não fosse o frio que por cá faz e a ausência de algumas pessoas, que teimam em me lembrar que estou cá de corpo e lá de espírito. Sinto-me a fazer caminhadas, a andar no meio da floresta, a ouvir os pássaros cantar e a água correr por entre as pedras, abrindo caminho onde nunca se pensou possível. Sinto a humidade colar-se à roupa reduzindo os espaços entre a pele e a camisola, sinto os pés escorregarem na lama e o bater do corpo no chão. Rio de novo das quedas e da minha figura enlameada. Sinto-me a chegar à Roça de S. João e a Bombaim, pela primeira vez, e a sensação contraditória que tive - pobre e belo, básico e deslumbrante. Apeteceu-me ficar ali um minuto e uma eternidade, estar acompanhada e sózinha. Foi tão agradável essa oposição de sentires que se perpetuaram em mim e hoje sinto-me lá de novo, no quarto do fundo a acordar às 5 horas com o grito dos morcegos que estavam em período de acasalamento, levantar-me e ver o nascer do sol mais lindo que algum dia pensei ser possível, ali à frente dos meus olhos.

A escrita e os artefactos

Para quem gosta de escrever uma caneta é a extensão de si próprio e um caderno o seu reflexo. São objectos especiais e, por isso, tratados ...