quarta-feira, 23 de fevereiro de 2005

Sherlock Holmes da vida alheia

Algumas histórias faziam-me lembrar historietas e historinhas mal contadas e mal elaboradas. Havia sempre uma pontinha que não encaixava, um pormenor solto que não fazia ali falta, uma relação de factos que não fazia sentido. Sentia-me um Sherlock Holmes de trazer por casa, a tentar encontrar as ligações e a coerência possível. Mas infelizmente o sentido perdia-se facilmente e ficava apenas com vontade de perguntar, sabe-se lá a quem:
- Não te esforces tanto com os pormenores, simplesmente porque não fazem sentido. Estás a tentar dizer-me alguma coisa de forma indirecta? Ou a querer confirmar algo que estejas na dúvida? OK, se é isso então, vai directa ao assunto. Torna-se mais simples, menos desgastante e mais honesto do que estar a inventar enredos que rapidamente e com a maior das facilidades são desmontados... não achas? É que o trabalho que me dá ser o Sherlock Holmes da vida alheia, a milhares de km de distância, é uma função chata e pouco compensadora, sobretudo porque não me sinto habilitada para tal... E se o querem fazer comigo, é mais fácil perguntarem directamente. Não há muito para saber, e ninguém, a bem dizer da verdade, tem que ver com isso, mas enfim, quem não tem mais com o que se ocupar, preocupa-se com a vida alheia...

A escrita e os artefactos

Para quem gosta de escrever uma caneta é a extensão de si próprio e um caderno o seu reflexo. São objectos especiais e, por isso, tratados ...