quinta-feira, 17 de fevereiro de 2005

Amigos

Tenho vontade de abraçar a minha amiga que está a passar por maus momentos, confortá-la e dizer-lhe, como se diz a uma criança, que tudo vai passar rapidinho e que ela se vai recompor rapidamente. Mas estaria a mentir-lhe e ela não o merece. E creio até que não conseguisse aguentar mais uma série de "não verdades".
E tenho vontade de ir ter com o meu amigo, que está a uma distância incomportável para que me predispusesse a tal viagem, para falar com ele, ou melhor ouvir as razões dele. Mas creio que nesta altura, ele também não as tem e estará a viver momentos de dúvida, de incerteza, de confusão mental e afectiva.
É terrível, nestas alturas, sentirmos afeição pelos dois porque se torna muito mais difícil confortar um, esquecendo o outro. Mas eu só lhe queria dizer, a ele, tudo o que, de acordo com o que conheço dele, ele sabe e sente. Ela não merecia nada do que está a viver. Não assim, não desta forma, não à distância de uns simples 5.000 km - coisa pouca - não sem uma conversa, não apenas com um mail. Não, quando se viveram momentos difíceis há tão pouco tempo por situações idênticas. Não quando as expectativas são demasiado altas, tendo sido ele a criá-las, a alimentá-las e ela a recebê-las. Não assim, amigo.

A escrita e os artefactos

Para quem gosta de escrever uma caneta é a extensão de si próprio e um caderno o seu reflexo. São objectos especiais e, por isso, tratados ...