domingo, 16 de janeiro de 2005

Equador, uma vez mais

Após quase 2 anos do "Equador" ter sido editado e lido por uma grande parte dos portugueses - a confirmar pelo número de edições - a irmã era das poucas resistentes que ainda não lhe pegara, apesar dos comentários repetidos, das referências e citações que ouvia, por parte de todos. O livro era fantástico, descritivo qb, um romance apaixonante e viciante, que se tinha pena de deixar quando se chegava à última linha, tendo de se aceitar que terminara. Apetecia relê-lo, uma e outra vez. E mais, falava de STP, aquele magnífico país, permitindo ao leitor uma viagem sem deslocação efectiva.
Um dia perguntou-lhe - Onde está o Equador? Quero lê-lo. - e, após as primeiras impressões, ficou também ela rendida, seduzida pela escrita e pela forma ímpar de relatar, descrever a paisagem, as praias, os momentos de lazer, as angústias e as paixões, os sentimentos mais acesos e intensamente vividos, as relações sociais e a forma como os estrangeiros por lá viviam (e continuam a viver).
A história passa-se há muito muito muito tempo, na altura em que havia governadores, não circulavam carros e as pessoas se deslocavam a cavalo, quando a chegada ao arquipélago era invariavelmente feita de barco, após uma longuíssima e interminável viagem, a terra era trabalhada, por escravos e a economia, de base agrária, era rentável. Mas apesar de tudo se passar numa altura em que ainda havia reis, rainhas, príncipes e princesas em Portugal, o livro é de uma actualidade impressionante, traduzindo uma observação, uma reflexão e uma análise precisas e rigorosas. Apesar dos erros históricos que alguns apontam, mas que são desculpáveis por se tratar de um romance, histórico é verdade, mas romance.
"Na sexta-feira, véspera do baile, a cidade de S. Tomé fervilhava já com os comentários e as histórias do novo governador, passadas de boca em boca, de loja em loja. Nos seus primeiros dias de governo, o novo governador ainda não subira lá acima, às roças (...). Em vez disso, passeara-se de trás para a frente na cidade, entrara nas lojas, cumprimentara os comerciantes e conversara com os fregueses (...)"
Brilhante!

A escrita e os artefactos

Para quem gosta de escrever uma caneta é a extensão de si próprio e um caderno o seu reflexo. São objectos especiais e, por isso, tratados ...