quarta-feira, 19 de janeiro de 2005

Amendoeira em flor

À porta da minha casa vive uma amendoeira brava/selvagem. Ninguém a plantou, pelo menos que se saiba, e ninguém se ocupa a cuidar dela. Todos os anos em Janeiro floresce e, de ano para ano, com maior robustez e vigor. Creio que este ano está no seu auge: cheia e de tal forma carregada de flores brancas que não caberia nem mais uma. Todos os dias, pela manhã e à noitinha cruzamo-nos e troco duas ou três palavras com ela. Pouco percebo de flores mas dizem que gostem que se converse com elas, mas percebo de pessoas e tenho a certeza que a conversa nos faz bem, temos a sensação que nos ouve e que partilha connosco as alegrias e as tristezas, as angústias e as preocupações, os desejos mais profundos. Quando está vento, como hoje, os ramos baloiçam, as flores e as folhas, que as acompanham, mexem-se, fazendo-nos acreditar que têm a sua própria capacidade de comunicar, concordando connosco, ou pelo contrário fazendo-nos ver que não estamos certos e que devemos ouvir a voz da razão. E hoje, apesar do vento, que soprava com intensidade, a amendoeira em flor estava acompanhada de uma lua, meia cheia meia vazia, mas muito luminosa. Foi uma imagem absolutamente inspiradora e tranquilizante.

A escrita e os artefactos

Para quem gosta de escrever uma caneta é a extensão de si próprio e um caderno o seu reflexo. São objectos especiais e, por isso, tratados ...