quinta-feira, 2 de setembro de 2004

Estás confuso?

- Estás confuso? Como me podes dizer isso? Logo a mim?
- Tens de perceber que o mundo não gira à tua volta, tenho problemas que ultrapassam a relação que tenho contigo. Sinto-me confuso, percebes?
- Não. Não percebo porque não posso perceber. Tenho este aspecto, é verdade, mas burrinha burrinha não serei. Confusão foi a que me criaste, no final da primeira noite, quando chegámos à praia te disse que não queria mais, que queria parar e que para mim chegava porque quem ia ficar mal era eu. Lembras-te do que me disseste? Que querias continuar porque tudo podia acontecer. Agarraste-me, seduziste-me e amaste-me dentro de água como só tu sabes, sem problemas que alguém nos visse, fazendo-me acreditar que contigo tudo era possível. E lembras-te do que dizias na brincadeira depois de nos amarmos longamente numa troca de fluxos salgados? Que as peixas iam ficar grávidas de ti... E eu ria-me que nem uma perdida só de imaginar... Confusão foi onde me meti por te querer tanto, por te sentir, por te desejar, porque me davas prazer como nenhum até aqui. Porque contigo cheguei ao céu e visitei a lua quando estava cheia e luminosa. Porque contigo atingi níveis de prazer louco e quase alienado, ultrapassei os meus limites e quis ver todas as estrelas e constelações do hemisfério sul, que só tu me soubeste descrever. Porque só tu me possuíste sem barreiras ou negações, tal e como quiseste porque também eu queria. Quis ter tudo assim como tu. E agora vens-me falar em confusão??? Como? Como? COMO??
- Mas tens de perceber a minha situação, eu quero-te tanto... mas estou confuso, há muita coisa que pode ser posta em causa... quem te diz que eu não te quero?
- Importante? E eu? Qual é a importância que eu tenho? Hein? Queres-me? O que é que isso significa exactamente? Podes operacionalizar, por favor? Olha, estou cansada e nem consigo mais dizer o teu nome. Cansada de esperar, de querer, de te desejar e de me sentir só, ansiosa, angustiada, sempre a viver na incerteza do teu querer. Tás confuso? OK, quando te decidires avisa... mas até lá, deixa-me viver em paz! E reencontrar-me, depois de conseguir juntar os pedacinhos todos que ficaram partidos.

A escrita e os artefactos

Para quem gosta de escrever uma caneta é a extensão de si próprio e um caderno o seu reflexo. São objectos especiais e, por isso, tratados ...