quinta-feira, 16 de setembro de 2004

Em terra de ninguém... cada um é rei

E STP vive mais uma crise política.
É assombroso, e quase chega a ser hilariante...
Desde que para lá fui a primeira vez e até hoje, em cinco anos, os governos da "terra de ninguém" não aguentam mais do que 6 meses no activo, com a mesma configuração.
As razões são sempre muitas e aparentemente válidas: ou porque o Presidente - quem quer que ele seja - não se entende com o Chefe do Governo - quem quer que seja; ou porque os indícios de corrupção, tão comuns e conhecidos, vêm a lume; ou porque as negociações do petróleo beneficiam mais fulano A do que cicrano, deixando de fora fulano B; ou porque o Ministro X assinou um acordo internacional sem dar conhecimento superior; ou porque foi negociada uma concessão de terras ou da faixa costeira sem aprovação da Assembleia e a opinião pública "revolta-se"; ou porque houve um Golpe de Estado, na ausência do Presidente, com os militares a convidarem os ministros a comparecerem até ao dia seguinte no quartel até ser negociada a paz... mas depois de o ser, volta tudo à normalidade; ou porque membros do Governo, incluindo a Primeira Ministra, são acusados de desvio de avultadas quantias oriundas da cooperação internacional; ou porque...
Há sempre uma boa razão para o país parar de novo, durante uns meses, até haver entendimento sob a forma de paz podre, limitando-se a elite reinante a circular entre pastas - são sempre os mesmos e a "massa crítica" residente é tão pequena que, é de fora que os ânimos se exaltam.
O mais hilariante é que, em período de crise como aquele que se vive nesta altura, entre os nomes de quem se fala para liderar o elenco governamental surge... precisamente... o da Primeira Ministra exonerada... e além deste, o de Carlos Tiny - que mantem péssimas relações com o Presidente Fradique e que foi por este afastado do Fórum Nacional, situação que gerou nova crise interna..., o de Rafael Branco, "ministro de profissão", que já fez com que o governo caísse, precisamente na altura do Golpe de Estado, há um ano e dois meses atrás, por causa do petróleo... e o do antigo Primeiro Ministro, Guilherme Posser da Costa, que se manteve na Assembleia Nacional, após uma saída que não deixou grandes saudades aos conterrâneos.

Em terra de ninguém, cada um é rei. E é uma grande verdade, afinal a "consciência crítica" residente no estrangeiro denomina-a de "República das Bananas" e parece ser verdade. Andam a brincar aos reis, aos cowboys, aos polícias e aos ladrões... e às escondidas. E nós a vê-los... e a estudá-los!!!
É um cenário hilariante e uma perspectiva absolutamente devastadora para os investigadores que se consideram sérios e pessoas de bem... Mas, cada um é para o que nasce...

A escrita e os artefactos

Para quem gosta de escrever uma caneta é a extensão de si próprio e um caderno o seu reflexo. São objectos especiais e, por isso, tratados ...